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sexta-feira, fevereiro 29, 2008

A Sinistra Ministra

A anomia e a anestesia deste Povo são tão grandes que poucos contestam uma sociedade que obriga as crianças a estarem 11 horas por dia na escola! - Deus nos livre desta Ministra!” (ler aqui)


“Com lenços brancos, e ao som balanceado de «está na hora, está na hora, de te ires embora» centenas de professores (mais de um milhar) estiveram reunidos na Avenida dos Aliados, em frente ao edifício da Câmara do Porto, a mostrar o seu descontentamento e indignação face à política (des)educativa de Maria de Lurdes Rodrigues. A convocação foi feita por SMS e a reunião foi informal e extremamente participada. A reacção da PSP não se fez esperar, tendo imediatamente – e à semelhança do que já aconteceu em outras manifestações – identificado os professores entrevistados pelos diversos canais de televisão. Tal motivou uma rápida onda de solidariedade entre os presentes, que responderam ao mostrarem que quem estava a cometer alguma ilegalidade eram os próprios agentes policiais cuja atitude carece de cobertura legal.
Apesar do clima de intimidação criado pelas autoridades policiais, os professores não demonstram sinais de desmobilização, encontrando-se várias acções marcadas para os próximos dias”.

A resposta que o Governo pretende dar à contestação é a Repressão
no jornal “Mudar de Vida”:

“Um dos balanços mais reveladores e (talvez por isso) menos revelados do Portugal-2007 é o saldo repressivo de um tempo que se mostrou fértil em ocorrências
Noticiados (ou nem isso) no correr dos dias, os exemplos sucedem-se e esquecem-se. Mas vistos no seu conjunto formam um quadro significativo como poucos da visão do Portugal do Partido Socialista (agora coligado com o Cavaquismo), deixando-nos um eloquente alerta para o que se prepara. Só não vê quem queira muito não ver.
O ano terminou com o anúncio pelo Ministro da Administração Interna do recrutamento em 2008 de mais 2300 efectivos para a PSP e a GNR, que se juntarão ao exército policial cujo reforço a direita se afadiga em reclamar com crescente insistência: 25 mil homens na GNR, 21.500 na PSP e 1350 na Polícia Judiciária”.

A imposição de um novo modelo de gestão escolar assente numa profunda hierarquização das relações de poder; a reforma do regime de avaliação dos docentes com base na delineação de objectivos (como nos call-centers?); a recusa em pagar as horas extraordinárias correspondentes às aulas de substituição, ou a crescente instabilidade laboral dos milhares de professores contratados são alguns dos traços essenciais de um já demasiado longo processo de transformação dos estabelecimentos de ensino em empresas escolares”.

A solução não é apenas despedir a Ministra!!!

A luta dos professores tenderá a desmobilizar-se quando forem obtidas concessões do Governo que minimizem a perda de direitos adquiridos em séde de classe de uma das mais priveligiadas corporações com o novo regime mesclado liberal-estatal surgido a seguir ao 25 de Abril. “Como fazer a reforma da Educação sem os professores?” pergunta o DN em editorial. Veja-se a tentativa de arregimentação dos “professores socialistas” para a causa do Governo. Mais um ou dois pratinhos de lentilhas e a restante massa formatada psicologicamente para o "pensamento de bloco central" aderirá à causa oficial dos dois partidos únicos.
Mas, é necessário compreender que nenhuma das medidas tendentes a destruir (para privatizar) o Ensino Público institucionalizado tem origem em Portugal; tem origem na importação de “reformas” (que fazem dele em si próprio um negócio para quem pode pagar) que ponham o sistema educativo português ao serviço dos interesses das empresas. E como o peso das empresas nacionais é insignificante, trata-se de formar mão de obra de quadros baratos (como na Índia) para fornecer a empresas multinacionais que operam na base de salários mínimos. É este debate que precisa ser feito: qual é o futuro que queremos – o resultante das acordos celebrados com o MIT norte americano no âmbito do plano tecnológico (“Putting Education to Work”, onde Portugal é utilizado como correia de educação para o Norte de África, de acordo com os interesses instalados no Médio Oriente), os protocolos estabelecidos com o Miami Dade College (a maior comunidade escolar nos EUA) ou um caminho autónomo de decisão nacional que proteja a nossa formação independente enquanto grupo social?
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quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Tropa de Élite

“Quero que saibam que quando falamos de guerra, na realidade estamos a falar de paz”
George W. Bush

O próximo presidente dirá precisamente o mesmo. Na verdade a alternância entre ciclos – guerra e paz, democratas e republicanos, bons e maus, maçónicos ou opus dei, aqui mais próximo: cavaquistas e soaristas, – não depende dos gestores pontuais, mas sim da existência (sobrevivência) do complexo politico- industrial-militar, primeiro americano, depois global.
Tal máquina, diabólica, na presente fase da globalização capitalista é simplesmente insustentável. E isto simplesmente porque - devido à forte acentuação das desigualdades económicas, entre os países ricos e os paises pobres, e entre os ricos e pobres dentro de cada país - a vasta maioria da população é cada vez mais excluída do mundo restrito das faixas de mercado que sobram, excepto quando as pessoas são contabilizadas como números em estatísticas na forma de consumidores úteis para as empresas corporativas.
O imperialismo naturalmente trata de jogar os trabalhadores dos países avançados contra aqueles do Terceiro Mundo, alegando que estes estão a roubar os empregos daqueles. Nada está mais longe da verdade. É a deflação/estagnaflação global imposta pelo capital financeiro que causa o desemprego generalizado. Com o agravamento da recessão no centro capitalista a situação tenderá a piorar.

Obviamente, para impôr a sua ordem, o domínio imperialista será cada vez mais determinado pela agressividade militar. E é neste contexto que ao ver a fotografia ontem publicada na capa da P2 se torna rídiculo o slogan-chave dos liberais: “menos intervenção do Estado” – é verdade: Hitler a arengar às massas alistadas no Exército, ou os actuais clones do nacional-atlantismo de discurso militarista a justificar “incursões humanitárias” de tomada de posse em economias estrangeiras, apontam para acertar o triunfo da vontade com a realidade sonhada pelo excesso de cátedra dos nossos liberais.

a França Sionista de Sarkozy envia 2 fragatas, oito caças mirage, 1500 militares e um porta aviões nuclear para o Estreito de Ormuz em exercicios nitidamente provocatórios, desafiando e procurando um pretexto que justifique atacar o Irão.


(ver James Petras: a agenda Israelita e a configuração do poder Sionista para 2008)

Permanece um mistério; como se induzem as grandes massas da população a aceitar tudo isto passivamente? – os eruditos sociólogos estudam, sistematizam e explicam os votos da populaça difundindo-os com generosa profusão pelos media à sua inteira disposição; os Políticos arquitectos (tropa de choque dos banqueiros e do “mundo empresarial”) e o exército de assessores do mainstream corporativo controlam, física e psicologicamente as abelhas (segundo Mandeville, e depois Voltaire). Karl Marx já havia observado em "O Capital" que “a diferença entre a melhor das abelhas e o pior dos arquitectos é que o arquitecto, ao contrário da abelha, ergue uma estrutura na sua mente antes de a erigir na realidade”. Na verdade a desmesurada primazia e importância que na actualidade é dada ao sistema bancário provém da sua utilização no financiamento dos arquitectos que constroem o mundo ultraliberal e neoconservador. Este, no modelo contemporâneo, ainda é mais monstruoso que o do Nazismo, porque, construida pacientemente a unidade entre as potências, já não se trata de organizar guerras pela supremacia entre elas, mas sim de declarar a guerra generalizada contra aqueles que não têm já qualquer capacidade de organização: os pobres.

Como se traduz isto no nosso quotidiano? Basta ouvir a escassa intervenção permitida por leitores ou ouvintes dos “media”; Cristina Lobo na TSF: “não são só as estruturas que contam. Portugal é um país sem recursos, mas despreza-se o recurso fundamental, o melhor que temos, que são as pessoas” J. Ricardo (no Público): “Cavaco veio a Ribeira de Pena dar “uma palavra de alento e de solidariedade” aos que vivem numa situação de interioridade (...) que não se verguem nem resignem face à distância dos centros de decisão política, à desertificação, ao abandono escolar e ao envelhecimento da população”. Ora são realmente espantosas estas declarações. Não só porque Cavaco Silva faz parte, desde há décadas, de muitos centros de decisores políticos (foi ministro das Finanças, primeiro-ministro e agora Presidente da República) como também são uma crítica directa e clara ao presente executivo, no que a uma verdadeira descentralização diz respeito” (neste ponto o discurso foi censurado pelo Público). Notamos que estas frases se enquadrariam na perfeição durante uma visita presidencial a tropas portuguesas estacionadas no Líbano, no Kosovo ou em Timor. E é com todos estes ingredientes que se faz a popularidade de um presidente”
Pedro Bravo (Évora): “O que têm em comum uma metáfora do sociólogo António Barreto (“sobre a Expo: “o que era o Pavilhão do Futuro é um Casino e o Pavilhão de Portugal está cheio de rachas”), o relatório da Sedes, um diálogo à porta de um supermercado de Évora e a insurreição social proposta por George Steiner?. Muito, digo eu. (ler integralmente aqui): “recordemos um momento populista do Presidente da República Portuguesa, no seu discurso de Ano Novo (ou de Natal), ao sentir-se preocupado com os ordenados auferidos pelos dirigentes das grandes empresas. Por um lado, é assunto puramente privado, da conta dos accionistas dessas empresas (a não ser que a Presidência da República esteja a defender os interesses dos accionistas) e, por outro, o Presidente da República tinha muito por onde chamar a atenção, nomeadamente quanto ao salário mínimo legal, quanto à exploração de mão-de-obra barata, quanto aos salários de miséria pagos às pessoas que trabalham à hora, quanto ao índice de miséria infantil em Portugal (neste ponto o Pública censurou o leitor) que conclui:
Razão tem o grande pensador (George Steiner) em admirar-se por que é que as pessoas não se revoltam
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terça-feira, fevereiro 26, 2008

Scott Ritter e o último americano

“a bandeira içada com o azul das estrelinhas para baixo, invertida, é um pedido de ajuda internacional” significa que estamos no ponto em que já não conseguimos desembaraçar-nos sózinhos dos nossos problemas. Precisamos de auxílio”
in “No Vale de Ellah” – no mais está tudo na pelicula de Paul Haggis: a certeza de que as “guerras contra o terrorismo” fabricam monstros caseiros, o racismo latente, por fim, a falência dos valores que afinal desde sempre regeram o militarismo – e a mensagem subliminar sionista: não há Golias (a administração Bush, supõe-se) que não possa ser vencido pelos pequenos Davides com a fisga dos votos (bah!)

Scott Ritter é um ex-oficial dos marines e depois o inspector da ONU que reportou muito claramente que o Iraque, depois de uma década de bloqueio militar, não dispunha de armas de destruição macissa. A retribuição que teve por ter tomado essa corajosa iniciativa (à revelia dos desejos velados da administração Bush) foi ter sido praticamente banido dos círculos oficiais e ignorado pela imprensa norte americana, onde nunca mais conseguiu expressar opinião sobre os “negócios internacionais”. É esta a fórmula nos EUA de hoje: Diga a Verdade + Tenha Razão = Seja Punido.
Scott Ritter reapareceu esta semana. Faz um tour por todo o país dando conferências sobre todos os assuntos que digam respeito à implementação de guerras, particularmente à intenção existente de agredir o Irão, com base em novas mentiras. Recorda-se o que disse S.R. antes dos EUA invadirem o Iraque: “Nós podemos chamar-nos a nós mesmos americanos. Podemos agitar ao vento a bandeira americana, mas se não nos levantarmos para defender os valores que nos definem como americanos, deixaremos de ser americanos” – também somos da mesma opinião, falidos, pois que deixem de ser “americanos” no sentido pejorativo que adquiriram ao permitirem ser governados por um regime criminoso. Sejam Californianos (mesmo assim a 5ª economia no mundo) Nova-Iorquinos, cidadãos de Vermont, o 14º Estado onde existe já um movimento de libertação das garras belicistas da União. Numa pequena localidade dos middlelands emitiu-se um mandato de captura para o caso de Bush ou Cheney tentarem pisar o solo local. Se o capitalismo de Estado na URSS implodiu e as repúblicas soviéticas se puderam desmembrar, porque não pode acontecer exactamente o mesmo ao capitalismo tout-court? – e fazer desaparecer do mapa a associação de Estados malfeitores da América do Norte?
Mas decerto não será decerto esta a intenção de Scott Ritter, mas sim dizer outra coisa sobre o futuro daAmérica



Centenas de desenhos de crianças estão a ser encaminhados para o Tribunal Penal Internacional pela ong “Waging Peace”, que os vê como evidências de atrocidades cometidas em África. Mas os testemunhos de crianças no Iraque ou no Afeganistão não têm a mesma divulgação mediática. Scott Ritter também escreveu um livro com o mesmo titulo: "Waging Peace" com a intenção de tentar travar o poderio militar, ilegal, imoral e prepotente, dos EUA no mundo. Paroles. Mas libertar os territórios invadidos, devolver os bens pilhados e ressarcir as vítimas parece não fazer parte das intenções destes velhos marines reformados reciclados para um "pacifismo" de fachada democrata




* Movimento alastra a outras 200 cidades que propõem a secessão
* para aprofundar o tema, ler no Resistir:
"Crise sistémica global: Fase de afundamento da economia real dos EUA"
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o Regresso dos Cowboys

my mind is made up, don’t disturb me with facts
no "Oeste Bravio"

“Cá estamos de mãos dadas, Walt, dançando o universo na alma” diz o judeu Fernando Pessoa ao quaker do rito escocês Walt Whitman, meu irmão americano I believe in the “inner light” “sou dos teus, tu bem sabes, e compreendo-te e amo-te/ E embora te não conhecesse, nascido pelo ano em que morrias,/ Sei que me amaste também, que me conheceste, e estou contente” (…) we feel good, esotéricos quanto baste 'Song of Myself' as Whitman's American Bible.

o Prof. Eduardo Lourenço, 84 anos, foi a figura central do meeting cultural que a Fundação Luso Americana (FLAD) promoveu a semana passada (quinta feira dia 21), subordinado ao título “Imagens da América”.
Teria o evento qualquer intenção política velada? Um recado dos filósofos sobre as actividades sanguinária da “Quadrilha Selvagem” segundo Sam Peckinpah, um aporte à estória encoberta da famiglia Bush em “Haverá Sangue”? Numa primeira análise não; afinal, como logo se percebeu no início das palavras do orador convidado, o tema era mesmo apenas o Cinema “apolítico”, a sétima arte que, desde os primeiros ensaios dos irmãos Lumiére, já leva 112 anos de existência (mais velho 52 anos que o primeiro filme de Manoel de Oliveira).
Eduardo Lourenço diz que conhecemos o cinema basicamente como o cinema americano; a geração do pós-guerra foi formada por ele; e a ideia que temos da América é a ideia que nos foi induzida pelo cinema. Verdade? Sim, claro. O professor disserta longa e pormenorizadamente sobre a trívia do cinema que lhe moldou o conhecimento – desde a projecção chuvosa da vida de Cristo num lençol de parede na capela da aldeia natal, a Tom Mix, “o Rei dos Cabreiros” e Tarzan, o rei do reino animal, aquele que domina a Natureza – até breves referências a obras mais substanciais:

D.W. GriffithThe Birth of a Nation” o nascimento de uma Nação (1921), passando pela mitologia universal de Chaplin- Charlot, e detendo-se finalmente pelos filmes de cowboys que são de facto o fundo da mitologia americana. O sonho histórico de expansão das fronteiras. Citando E.L: “a América assume positivamente aquilo que foi uma conquista feroz e que nenhum dos imperialismos europeus conseguiu transformar em epopeia” – nesse tempo havia um problema de comunicação, problema que desapareceu mais tarde com a formação psicológica induzida pelo cinema dos heróis americanos, quando John Wayne afirmou que "o exterminio dos índios nativos tinha sido um mal necessário”. Agora percebemos, mas não se percebe porque omitiu o prof. Eduardo Lourenço qualquer referência crítica á ideia expansionista americana, ou porque razões omitiu até o próprio genocídio. Mas enalteceu o espírito bíblico das obras mestras dos quatro ou cinco grandes estúdios de hollywood: a Century Fox, a Warner Brothers, a Metro Goldwin Mayer, “que pertenciam todos a patrões judeus”.

Fomos ver como é que, como em Frank Capra, (o realizador do filme de propaganda "Why We Fight" durante a 2ªGGuerra) com Eduardo Lourenço acaba sempre tudo numa radiante mensagem optimista para o futuro (mesmo depois da bancarrota, que lindo é este mundo ficcionado, onde policias e banqueiros ajudam os pobres e falidos: "It`s a Wonderful Life"): Lourenço é Director Honorário da Fundação Luso Americana nomeado pela FLAD. Afinal um evento que aparentava ingenuidade apolitica tinha tudo de político. Como disse ontem Kennedysomos todos berlinenses”, como diz hoje Cavaco “somos todos americanos” ou como diz o zé desde sempre “somos todos índios” a quem se aplicam os efeitos especiais tecnológicos da velha ideia de “californication” hollywoodesca (*), ainda por cima obrigando as vítimas a pagar bilhete para se formatarem ao jeito dos algozes.

Somos todos Índios no sentido marxista que Abraham Polonscky imprimiu a "Tell Them Willie Boy Is Here", razão para ser marginalizado, agora quando o espírito de Conquista do Oeste persiste por esse mundo fora, onde os implacavelmente derrotados, quando não exterminados segundo o método israelita, se vêem constrangidos a árduas batalhas: a sobrevivência em campos de concentração, as famosas reservas indígenas, onde são usados como vítimas de atracção folclórica para as Ong,s - onde as esmolas são uma constante que aviltam e tornam indigna a condição do ser humano. Na medida em que as classes médias no Ocidente empobrecem, vamos cada vez conhecendo melhor e mais de perto esses guetos sociais onde as forças do mal, “Force of Evil, (1948) também de Pollonck são a razão, pensar diferente e à esquerda, para que se seja aldrabado, perseguido e excomungado.

Por favor repare-se - aqueles capuzes aplicados aos prisioneiros de Abu Grahib têm reminiscências concretas nos capuzes do Ku Klus Klan, a seita secreta segregacionista que construiu a América de “Intolerância” – o outro filme de Griffith que Eduardo Lourenço não mencionou.



“Deus é o sentido para onde tendem todas as inteligências que governam este mundo contra a vontade satânica da matéria inerte” (…)“O meu destino pertence a outra Lei cuja existência a Ophélinha nem sabe, está subordinado cada vez mais à obediência a Mestres que não permitem nem perdoam.”

(e) foi então que, para te vingar
E à maneira de santo, os arreliar
Desceste mansamente à terra
Perfeitamente disfarçado
E fizeste entre os homens da razão
Um milagre assignado, mas cuja
assignatura se erra
Quando em teu dia,
S. João do Verão,
Fundaste a Grande Loja de Inglaterra - Fernando Pessoa (1935)

O mesmo espirito das cruzadas, "temos de salvar o Cristianismo" e os mesmos efeitos colaterais - até o Pacheco os referiu, são eles: a Conquista, a Guerra, a Fome e a Morte - de Eduardo Lourenço, moço de fretes da ideia americana, cuja viagem cinematográfica não passou pela pioneira UFA alemã, tampouco pela nouvelle-vague europeia, nada se ouviu - ou melhor, dela disse ser uma "epopeia"; com fins beneméritos, I presume,
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segunda-feira, fevereiro 25, 2008

"o Fim do Jogo"

Em época de "óscars" este é um bom filme para ser lembrado. "End Game" foi realizado por Alex Jones com a intenção, inicialmente, de descobrir se há ou não, nos EUA, alguma lei que obrigue os cidadãos a pagar impostos sobre o trabalho - o equivalente ao IRS português. Aparentemente, não há! Na terra da livre iniciativa, como se esperaria do culto da miséria liberal, nunca foi feita uma lei ácerca de algo que não existe; que obrigue os americanos a pagar impostos sobre o seu trabalho, já de si com caracteristicas endémicamente precárias. Existem outros impostos, que nos EUA são legais, como os impostos sobre as empresas (o equivalente ao IRC português), ou o imposto sobre as compras para consumo, mas não sobre os rendimentos do trabalho. O pior foi o que o realizador descobriu à medida que foi escavando o assunto mais a fundo!

ver trailer 5 min


o filme completo, com a duração de 2 horas e 19 minutos pode ser visto aqui:
"End Game"

Curioso como logo de inicio aparece o ministro português dos Assuntos Parlamentares – e como essa fugaz passagem lhe dá uma notoriedade insuspeita: Augusto SSilva (PS) foi um dos participantes da Reunião do Grupo Bilderberg no Canadá em 2006 (1)

Fez parte do conselho coordenador do “Fórum Novas Fronteiras” e como tal vem referido na bibliografia de "End Game".Com a sua pândega habilidade para esgrimir bitaites anti-comunistas no teatro parlamentar, com o P”S” em desintegração, como corolário lógico o ministro subiu ao estatuto de colunável na imprensa de mexericos políticos.

A politica do grupo de trabalho sobre o “Mercado Comum Transantlântico” (Transatlantic Policy Network, TPN) um pacto entre os Estados Unidos e a União Europeia produzido a partir do desenvolvimento da gestão dos fundos do Plano Marshall, obviamente nada tem a ver com "eleições"; relaciona-se com o facto do congressista republicano Ron Paul admitir (ver post abaixo) uma “conspiração para formar um Governo Global” de cariz ditatorial fascizante a partir da élite secreta que controla a América. Por exemplo, quem não ratificar o Tratado Europeu é convidado a sair; fora da UE os Estados falhados ou párias serão abandonados à sua sorte (2). Analisando a situação pelo lado da crise financeira com a derrocada bolsista e o progressivo abandono do dólar, tendo como alternativa o reforço do Euro, faz todo o sentido pensar que no futuro, não muito longinquo, para um Mundo Único haverá uma Moeda Única.

notas
(1) ver vídeo: Jim Tucker fala e questiona as actividades secretistas do Bilderberg Group

(2) Na ressaca da “crise” ibero-americana do Chile que sucedeu à ordem del Rey Juan Carlosporque non te callasHugo Chávez contou um episódio que não foi transmitido nas televisões europeias, mas que foi visto em directo p/e na “Cubavision”; Chávez contou, em directo e em frente de todos os participantes, incluíndo a presidente Michelle Bachelet, que logo após a sua eleição em 1999 foi visitado pelo então 1º ministro José Maria Aznar, a pedido deste. Vinha interceder para que Chávez se juntásse ao grupo dos países com recursos petrolíferos capazes de dirigir em conjunto com os Neocons uma politica comum de energia a nível mundial. Estava tudo decidido ao mais alto nível (como seria confirmado posteriormente nas Lages) assim como a opção de invadir o Iraque. Chávez perguntou “então e os outros países todos, os que são pobres, os que não têm recursos?” e Aznar respondeu “esses estão fodidos” (! sic)

Ocupada em dar banhos de água benta a tudo o que é santinho por onde passa, porque, para além do pó de arroz, as virgens não se metem nestes assuntos mundanos,
ainda bem que a beata Maria Cavaco Silva, de visita à Virgem da Isla Negra, não estava presente, senão ficaria com as cristãs maçãs do rosto ruborizadas comó ó C.(piiiii) ao ouvir esta desbragada asneirola, e logo da boca de Aznar, um fiel aliado politico.

Como na novela em fasciculos de Camilo parece-nos ouvir os gritos dramáticos da Virgem, que lá de cima topa tudo: “Maria, Não me Mates, Que Sou tua Mãe
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outra vez Cuba, Bush e a RTP

Sobre o post da terça feira dia 7 de Agosto de 2007 aqui publicado que intitulei “RTP a televisão privada de Bush”, para os devidos e legais efeitos se comunica que na altura enviei o seguinte email à inexistente Autoridade Reguladora da CDVEM (Confraria dos Viciados em Mentiras) organismo geneticamente alterado, popularmente conhecido como “provedor dos telespectadores”; assim foi:

ao Provedor do Telespectador da RTP, Exma Excelência
Relativamente ao abjecto programa sobre Cuba, "Hasta Cuando" emitido ontem quinta feira 3 só vos queria dizer que ao abrigo do direito de resposta o mínimo que seria exigivel era ouvir as razões e a apreciação dos factos vistos pelo contraditório depois de "apreciarem a v/ insigne obra". Como é evidente, tal nunca vai acontecer, pelo que V.Exas merecem bem a "linguagem insultuosa" invocada como meio de censura prévia para se eximirem aos preceitos estipulados pelas regras mais básicas da deontologia profissional. Passem bem. E podem ler aqui a minha opinião mais detalhada sobre o chorrilho de aldrabices com que um canal público como a RTP ousou conspurcar a inteligência dos contribuintes que pagam a essa gentinha ordenados fabulosos sob a forma de taxas e subsidios do Estado.
(assinatura reconhecida)
veja por favor razões mais detalhadas em:
http://xatoo.blogspot.com/Rtp de Bush vs Cuba

a resposta chegou dia 23/08/07:
Exmo. Sr. Xxxxxxxxx Xxxxxxrx
Em nome do Provedor do Telespectador agradeço o seu contacto de e-mail.
Regista-se a sua opinião sobre a Reportagem sobre Cuba. Não deixará o Provedor de abordar esta questão numa próxima reunião com o Director de Informação da RTP. No âmbito das suas competências o Provedor continuará a insistir na isenção e imparcialidade dos conteúdos no Serviço Público de Televisão. Com os melhores cumprimentos
A Chefe de Gabinete, Fernanda Mestrinho

Mas não mais chegou resposta nem remédio. Pelo contrário, hoje reincidiram. O que lhes valeu novo correctivo, enviado por novo email:
Exmo Sr. Provedor do Telespectador da RTP
"No telejornal das 20 horas de hoje, domingo dia 24, transmitiu a RTP a notícia sobre a eleição pela Assembleia do Poder Popular do novo presidente da Republica de Cuba. Terminado o resumo destas duas linhas que fez a RTP? Passa de imediato a transmitir imagens de uma entrevista de rua em Havana com uma aparentemente isenta transeunte que afirma “tudo permanecerá igual, nada irá mudar, infelizmente, etc e tal”. Trata-se de um embuste! que se pretendeu passar por um directo. A referida entrevista foi feita em Agosto de 2007 e transmitida integrada no abjecto programa “Hasta Cuando”, outra manipulação contra a qual me insurgi em email então enviado a V.Exa. sob o título “RTP A Televisão Privada de Bush” Mas não é tudo. Não está em causa se se gosta ou não gosta do novo Presidente, que não dá decerto jeito nenhum aos patrões que pagam semelhantes fretes ao pessoal dessa casa. Que mais faz a RTP? Despreza o voto expresso por 11 milhões de eleitores cubanos e envia o assalariado Vítor Gonçalves a Miami onde entrevista exclusivamente dissidentes da diáspora pró-americana, que representam menos de 5% da população de Cuba. Este comportamento é indecoroso, vergonhoso, e só mede a estúpida intenção do vosso Departamento de Informação Deturpada de continuar a fazer passar os telespectadores por estúpidos"
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Discurso inaugural do Presidente Raul Castro, aqui

"la Revolución es obra de mujeres y hombres libres y ha estado permanentemente abierta al debate, pero nunca ha cedido un ápice ante las presiones"
versão integral, aqui

domingo, fevereiro 24, 2008

«Não mais a natureza ou o Estado, ou uma qualquer religião a decidir sobre a vida e o futuro das mulheres, mas elas próprias



a Assembleia Nacional Popular de Cuba homenageia Madalena Barbosa, não com palavras, mas com acções concretas:
O órgão supremo do poder do Estado, integrado por 614 deputados, na nova legislatura que se inicia hoje contará com 43,18% de mulheres (219). Cuba é o terceiro país no mundo com maior representação feminina (só suplantado pelo Ruanda, com 48,8% e pela Suécia, com 47,3%)
Outro mito usado para denegrir a pequena nação das Antilhas é o pretenso clima de secretismo em que seria eleito o próximo presidente do Conselho de Estado. Nada mais fácil de ser desmontado: a eleição é transmitida em directo pelo canal televisivo nacional, a Cubavision, (disponivel na TVCabo) a partir das 10 horas locais (15 horas em Lisboa)

* Qual Transição? Perder a identidade?
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sábado, fevereiro 23, 2008

mudança de paradigma; sob a batuta de Marx

“Tem-se assistido a um sentimento de desmoralização entre aqueles que acreditavam que as forças de mercado e os governos sociais democratas iriam provar que a visão de Marx sobre a distribuição do rendimento estava errada”.

o jovem Marx

O “Público” transcreve um artigo de J. Bradford Long, um articulista do think-thank “Project Syndicate“ que foi secretário de Estado Adjunto do Tesouro norte americano. A situação de crise é tão grave que os próprios ideólogos do sistema já vêm a público rever os esteriotipados preconceitos contra o marxismo:
“A solução apresentada por Martin Wolf, um colunista do Financial Times, não basta, uma vez que o problema não está confinado à alta finança. O problema reside no facto de a ampla falta de competividade do mercado não ter gerado fornecedores alternativos; e de a actual geração de príncipes mercantilistas estar a nivelar por cima as fortunas que exigem pelo seu trabalho.
Para Wolf, o maior receio é que “a combinação da fragilidade do sistema financeiro com as elevadas remunerações que este gera para quem está dentro do sistema possa destruir algo muito importante: a legitimidade política da própria economia de mercado
“Há cerca de 150 anos Marx vaticinou, num tom sombrio mas exuberante, que o capitalismo moderno seria incapaz de produzir uma distribuição de riqueza em moldes aceitáveis. Esta iria crescer, sem dúvida, mas só estaria ao alcance de uns quantos eleitos. Ou seja, o desemprego e a carência iriam aumentar, desencadeando a revolta e a revolução que, por sua vez, dariam origem a um sistema mais justo e igualitário. O ganha-pão dos economistas “mainstream” consistiu, desde então, na desmontagem da teoria de Marx. O choque inicial da revolução industrial, e consequentes desiquilibrios, estava e está associado à rápida e crescente desigualdade num cenário em que as oportunidades estão essencialmente abertas à iniciativa e agressividade, e em que os preços de mercado, determinados por escassas competências chave, disparam para níveis astronómicos. Isto era, ou supunha-se que fosse, uma situação temporária.(…)

* Minsky moment: "não são só as casas penhoradas, a partir de agora são as instituições financeiras"

* The New Yorker, sobre a Estratégia de Estímulo ao Morto: "a administração Bush quando a semana passada se propôs o novo pacote combinado de incentivos fiscais de biliões, (ainda assim uma gota de água claramente insuficiente para regar um oceano), legará uma herança monstruosa ao próximo Executivo". A saída só poderá ser qualquer coisa de violento
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sexta-feira, fevereiro 22, 2008

o congressista Ron Paul admite existir uma “conspiração para formar um Governo Global”

1 min.59 seg.


6 Senadores e 49 membros da Câmara de Representantes norte americanos são conselheiros num grupo de trabalho sobre o “Mercado Comum Transantlântico”, um pacto entre os Estados Unidos e a União Europeia que visa estar operacional de facto até 2015. No mesmo âmbito, a “Transatlantic Policy Network” (TPN), uma organização não governamental com escritórios simultaneamente em Washington e Bruxelas – Uma autêntica "task force" ao serviço das multinacionais, é supervisionada pelo congressista supra-partidário Robert Bennett do Estado de Utah.





9/11 exposed.org

ver sequência de factos expostos aqui

Pizzas encomendadas ao Sistema:

"AMERICA: FREEDOM TO FASCISM"
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quinta-feira, fevereiro 21, 2008

crise Financeira - uma pescadinha de rabo na boca

Na Grã Bretanha a eminente falência do Northern Rock foi resolvida pela “nacionalização” através da injecção de mais 35 milhões de euros para além das verbas astronómicas anteriormente cedidas a titulo de crédito de salvação pelo Banco de Inglaterra. Os adeptos da economia liberal-neocon devem ter corado de vergonha quando ouviram Gordon Brown, essa luminária “eleita” pela monarquia económica global: “Fizemos a coisa certa, no momento certo e pelas razões certas”. A esperteza custou a cada contribuinte britânico 4.600 euros sonegado ao valor dos impostos que pagaram para outros fins; na Alemanha descobre-se uma evasão sistemática ao fisco utilizando off-shores bancários que já soma 3,5 mil milhões de euros. Em França querem fazer pagar a uma única vítima, Jérome Kerviel, a prática fraudulenta habitual da Société Générale que industriava os seus funcionários a abrir contas ficticias em off-shores para comprar fundos de acções do banco empolando valores inexistentes. Lucro na forma de Lixo!

Em Portugal desde o principio do ano, neste ano e meio que leva 2008, o BCP admitiu (oficialmente) ter perdido 35 por cento do seu valor em bolsa. Inicialmente o banco admitiu perdas na ordem de 200 milhões decorrentes dos valores ficticios que se volatizaram nos off-shores. Mas novos desenvolvimentos nas investigações apontam para mais de 600 milhões! Para compensar os prejuízos, que continuam a ser contabilizados, depois de vender a importante participação na EDP (uns míseros100 milhões de euros), o banco pretende fazer um aumento de capital. Mas quem serão os accionistas que se predispõem a adquirir mil milhões de euros de papel pardo duma empresa cujo valor continua em queda? – na falta de pequenos otários escaldados o aumento de capital será tomado firme pela Morgan Stanley e Merril Lynch.

Mas estas duas entidades financeiras também contabilizaram perdas de biliões na mal denominada “crise dos suprimes” (o maior crash mundial desde 1929) e precisaram, bem como outros grandes bancos como o Citygroup (ou a UBS), de importantes injecções de capital: os “buracos” foram tapados com mais dinheiro ficticio emitido pelo FED, e quando o volume de papel impresso se tornou alarmante, com “petrodólares” pela compra de posições por fundos governamentais das monarquias petroliferas, a Arábia Saudita, o Kuwait, etc. – ou seja, com o regresso macisso dos capitais ficticios disseminados globalmente, verifica-se um ingresso nas economias do centro capitalista de “empresas que não executam orientações politicas necessariamente favoráveis aos paises que as acolhem”.

Troca de perspectivas de lucro que não existem por valores ficticios, o que é certo é que para o grande público, apesar da crise, tudo aparenta permanecer igual – salvo no desemprego, nas purgas de empregos no Estado, no aumento do custo de vida, da falta de encomendas e trabalho nas pequenas e médias empresas que se precipitam na falência aos ritmos mais altos de sempre – isto é, "a crise" tem uma marca de classe: afecta fundamentalmente as classes proletárias.

Em nome das mesmas Oligarquias de sempre, a economia global, aparentemente desregulamentada mas de facto controlada pelos aparelhos de Estado pró-neocons, gerida em sistema de Subcontratação (outsourcing) através de Off-shores está a destruir o modo de vida das classes médias no Ocidente. Para quando a revolta generalizada para que a crise possa atingir também a Oligarquia e os parasitas políticos que a sustentam?


O Vazio na Economia: o Deserto e as Miragens (1)

O vazio está para a Economia neoclássica como a morte se apresenta para o ser humano. A sua existência é um facto, a sua inevitabilidade é um mistério que a Economia é incapaz de desvendar. Por outras palavras, diríamos que a compreensão do vazio parece fugir ao escopo da teoria econômica neoclássica. Que vazio é referido aqui ? O vazio de consumo, o vazio de propriedade, o vazio de rendimentos, o vazio de expectativas. Há centenas de milhões de deserdados no planeta, centenas de milhões de indivíduos sem rendimentos ou com rendimento insuficiente para a sobrevivência e para o consumo mínimo, centenas de milhões de pessoas sem qualquer expectativa de integração digna do ambiente económico nas nossas sociedades ocidentais (...)
Nesse deserto, a paz social fica por conta das forças de repressão e por conta das miragens. A difusão de miragens, se repararmos na recente proliferação de jornais económicos, é obra dos media e dos legionários ideológicos do grande capital. Os economistas contribuem com mensagens do tipo “o crescimento econômico auto-sustentado exige estabilidade monetária e equilíbrio fiscal”. Ora, estabilidade monetária com concentração da rendimentos e da riqueza, como ocorre actualmente, só pode tornar pobres os que compunham a classe média, e miseráveis aqueles que eram pobres. É a política de vampirização. O equilíbrio fiscal defendido propõe-se alimentar generosamente os financiadores da dívida pública, sacrificando os gastos sociais com a saúde, educação e habitação. Trata-se aí de um outro vazio - vazio de concretização -, a verdadeira psicose dos economistas neoclássicos, a sua insistência em olhar para um mundo inexistente, virtual, para as miragens do deserto, negando o mundo real do capitalismo selvagem, da luta de classes, do imperialismo caçador de tributos e de rendimentos nas periferias (...) dos grandes empreendimentos em obras públicas de regime que servem a perpetuação dos privilegios das oligarquias. É deste campo que trata a macroeconomia uma ciência que parece estar longe da compreensão do cidadão comum. A realidade é apresentada sob forma de modelos nos quais só aparecem os fenómenos considerados relevantes, descritos em linguagem matemática e propositadamente de difícil entendimento.

A teoria económica dominante, neoclássica, não sabe tratar, tecnicamente, os campos vazios, pois ela dá prioridade ao estudo da produção e da oferta relativamente ao consumo, na desacreditada crença de que "a oferta cria a sua própria procura". Na actualidade, a maioria dos economistas neoclássicos concorda com os pressupostos de Jean Baptiste Say para quem "o objecto da Economia Política é o de conhecer os meios pelos quais as riquezas se formam, se distribuem e se consomem" [Léon Walras, 1996], concentrando-se no estudo da escassez e do funcionamento dos mercados.
Ora as falhas de mercado e a presença de monopólios, oligopólios, cartéis, trustes, etc, constituem uma justificativa importante para a intervenção do Estado na economia. Por isso, o keynesiano Paul Samuelson observa que a "análise mais atenta revela que os economistas concordam muito mais vezes do que se pensa. Existe um consenso genérico (sobre) temas de microeconomia tais como a importância do mercado na alocação de recursos a nivel local, os efeitos prejudiciais de muitas regulamentações governamentais... e os benefícios do comércio e da especialização."

Reconstruindo a utopia : o socialismo civil

É claro que nem todos os economistas, se curvam perante o altar do Mercado macroeconómico gerido pelas multinacionais e se acomodam ao pensamento único macroeconómico dominante. São muitas as vozes divergentes, reagrupadas em várias escolas como os neo- keynesianos, os Marxistas (que aqui se excluem do debate, a tal ponto o fascismo económico degradou a situação) e os regulacionistas franceses. O traço comum a todos que se opõem à economia neoclássica é o respeito pela história, o enfoque pluridisciplinar, e a concepção humanista do homem e das sociedades. Apesar de pouco divulgados pelos media, há trabalhos notáveis que são produzidos e levados a debate em reuniões técnicas. Entre eles, destaca-se a obra de Bruno Théret, da Escola Francesa de Regulação, para quem "o neoliberalismo é pura ideologia negativa na sua forma doutrinária, e simples prática de desestruturação na sua forma gestionária (e incapaz de propor) um sistema de regras capazes de estabilizar os resultados das mutações em curso. "Para Théret, a superação dos impasses actuais implica reconhecer a necessidade de superar tanto o capitalismo liberal quanto o socialismo estatal, vinculados, ambos, a um modelo totalitário incompatível com o pleno desenvolvimento das potencialidades do ser humano. Mas tal só é possivel pela destruição dos actuais parâmetros em que se funda a macroeconomia neoliberal.

É aqui que se fundamenta a necessidade de defender, com todas as suas insuficiências provocadas a partir do exterior, o pequeno Estado de Cuba, cercado pelo bloqueio capitalista como "um mau exemplo", realmente um farol de resistência anti-imperialista.
Daí também a afirmação de L.M.Belluzzo no Forum Social Mundial, (Setembro/2000), para quem "o endeusamento do Mercado feito genericamente, não distinguindo entre macro e micro economia, é a senha de ingresso no clube dos esquerdistas esclarecidos – quase, quase igual aos militantes da direita clássica", cujo discurso em nada se diferencia da social democracia de Mário Soares, das sugestões de liberais como Joseph Steaglitz ou especuladores "soft" como George Soros. Conhecemos muitos militantes assim - no Bloco de Esquerda. Ao aceitar discutir “democraticamente” com o viciado Poder vigente eles são a antítese que legitima por oposição consentida o Poder, a última tábua de salvação das teorias liberais inauguradas nos anos 80 por Milton Friedman, Ronald Reagan e Margareth Tatcher.

nota(1) O titulo do texto e os dois parágrafos iniciais são adaptados da palestra da economista Ceci Vieira Juruá (Rio de Janeiro), que mescla a realidade económica actual com a célebre ficção futurista catastrófica do "Relatório Lugano" de Susan George (ver aqui)
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quarta-feira, fevereiro 20, 2008

A guerra mediática e económica contra Cuba

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Nem dormem de noite sonhando com a sucessão da Presidência, magicando freneticamente o que lhes daria mais jeito para vilipendiarem “a monarquia familiar dos Castro Brothers”, segundo o mesmo léxico de Bush. Ficarão deveras desgostosos, desapontados, se lhes aparecer outra cara; como se cada indivíduo per si fosse mais que um executivo que exerce honestamente a sua actividade politica mandatado pelos seus concidadãos eleitores.

Ao bloqueio decretado pelos EUA, ou aos presos políticos cubanos detidos nos cárceres de Bush, dizem nada. Mas a maioria dos comentadores alinhados com o viciado sistema dominante euro-americano de dois partidos únicos, quando opinam sobre Cuba criticam invarialvelmente a “existência de uma ditadura”, a “ausência de eleições”, a falta de “liberdade democrática”, o poder nas “mãos do partido único”, etc. Estas “opiniões imparciais” padecem de uma visão ideologicamente truncada vista pela distância que vai da relação dos desejos à realidade . Na verdade o problema é que a legislação cubana (a Constituição) proíbe categoricamente ao Partido Comunista indicar candidatos: “Nenhum partido tem direito a indicar candidatos. A indicação dos candidatos é feita directamente pelos próprios eleitores através de assembléias públicas. O Partido Comunista não é uma organização eleitoral e, sendo assim, não se apresenta para as eleições e não pode indicar candidatos”. Além disso, mais da metade dos parlamentares que foram eleitos não são membros do Partido Comunista. Com que objectivo ocultam esta realidade senão para enganar a opinião pública e prosseguir a sua campanha de diabolização de Cuba? Enfim, para certas luminárias enquanto o Capital não estiver no Poder não haverá direitos humanos.
Um conhecido dissidente residente em Cuba, Osvaldo Payá, com ou sem partido, apoiado financeiramente ou não pelos EUA, concorre normalmente às eleições da sua área de recenseamento – nunca ultrapassou 9% dos votos. Na óptica estapafúrdia das eleições de filosofia anglo-americana, um pequeno partido como o CDS apoiado numa percentagem ínfima de votos, cumprindo uma encomenda estrangeira, pode governar e pela acção de quaisquer carreiristas sem escrúpulos pode assaltar o Estado lesando-o concretamente em milhões de euros, traficar influências com o Pentágono, favorecer corruptamente as corporações que tem como clientes, fotocopiar documentos oficiais para uso privado, e sair ileso perante a justiça. Como dizia o outro, sobre os comentadores da “Cuba democrática”: “O que tu queres seu eu!” - o embuste do “socialismo em liberdade” falsificada.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

"Y En Eso Se Fue Fidel", mas não a Constituição Socialista!

"Desempeñé el honroso cargo de Presidente a lo largo de muchos años. El 15 de febrero de 1976 se aprobó la Constitución Socialista por voto libre, directo y secreto de más del 95% de los ciudadanos con derecho a votar. La primera Asamblea Nacional se constituyó el 2 de diciembre de ese año y eligió el Consejo de Estado y su Presidencia. Antes había ejercido el cargo de Primer Ministro durante casi 18 años. Siempre dispuse de las prerrogativas necesarias para llevar adelante la obra revolucionaria con el apoyo de la inmensa mayoría del pueblo"

(…) Más adelante pude alcanzar de nuevo el dominio total de mi mente, la posibilidad de leer y meditar mucho, obligado por el reposo. Me acompañaban las fuerzas físicas suficientes para escribir largas horas, las que compartía con la rehabilitación y los programas pertinentes de recuperación. Un elemental sentido común me indicaba que esa actividad estaba a mi alcance. Mi deseo fue siempre cumplir el deber hasta el último aliento. Es lo que puedo ofrecer. (…) “A mis entrañables compatriotas, que me hicieron el inmenso honor de elegirme en días recientes como miembro del Parlamento, en cuyo seno se deben adoptar acuerdos importantes para el destino de nuestra Revolución, les comunico que no aspiraré ni aceptaré- repito- no aspiraré ni aceptaré, el cargo de Presidente del Consejo de Estado y Comandante en Jefe. No me despido de ustedes. (…) Deseo solo combatir como un soldado de las ideas. Seguiré escribiendo bajo el título "Reflexiones del compañero Fidel" . Será un arma más del arsenal con la cual se podrá contar. Tal vez mi voz se escuche. Seré cuidadoso” (ler o resto)

* Ver resenha do livro de Iñaki Errazkin "Y En Eso Se Fue Fidel" no blogue Palinuro

Y En Eso Se Fue Fidel” é um ensaio escrito em tom jornalistico com dois propósitos: por um lado, advertir sobre os sérios perigos que ameaçam a Revolução Cubana no futuro imediato, muitos deles de carácter interno, derivados de deficiências corrigiveis que se mencionam no livro; e por outro, resumir as suas paradigmáticas bondades, da maneira mais objectiva possivel e sem excessivos ditirambos. Para isso o jornalista, politico e conferencista basco Iñaki Errazkin coligiu uma ampla selecção de noticias de agências noticiosas que, se bem chegaram no seu momento próprio a todas e a cada uma das redacções de todos e cada um dos meios de comunicação planetários, nunca foram publicadas, salvo nos casos excepcionais tão pouco dignos em rigor como anedóticos. Sem dúvida, a sua leitura aproximará mais o leitor de Cuba, um pequeno país alegre e combativo que, com Fidel ou sem ele, com Raúl ou sem ele, seguirá avançando para o socialismo porque a imensa maioría dos seus habitantes, numa vitória inegável da literacia e educação cívica, sabe claramente que a alternativa, como bem advertiu Rosa Luxemburgo é a barbárie.

6 min 59 seg
cubainformacion.tv

“Contos de Colarinho Branco”

“Mais propriamente, o Fascismo deveria ser chamado Corporativismo, porque emerge da fusão entre o Estado e o poder das Corporações”
Benito Mussolini

Paulo Morgado, que pertence ao Conselho Consultivo do Plano Tecnológico, falou:
"As declarações do doutor Marinho Pinto trouxeram duas coisas: falar da corrupção de Estado – normalmente fala-se da corruptela (exemplo: fazer andar um papel mais depressa), da corrupção no futebol e na construção civil, que é a média corrupção. O segundo aspecto da declaração dele é ter utilizado, pela primeira vez, a referência à transparência, que acho ser a solução para o combate à corrupção entendida em sentido lato: como aproveitamento privado daquilo que é público. Por outro lado, essa declaração trouxe a tradicional visão de um jurista, que julga que a corrupção se combate através do sistema judiciário português.
E não é suficiente?
Não. Não podemos dizer que o nosso sistema judiciário tem graves lacunas, não há casos de corruptos apanhados e, depois, altas figuras do Estado e os comentadores dizerem que “o Dr. Marinho fez uma denúncia de casos de corrupção mas a Justiça trata disso” – dizer simultaneamente que a Justiça é incapaz de tratar de casos de corrupção, e que o assunto está entregue à Justiça! É um paradoxo, uma hipocrisia total. Das duas, uma: ou os altos dirigentes/comentadores não conhecem o sistema de justiça e, então, têm de se informar – o que é grave e inadmissível – ou então conhecem e são cúmplices"
(ver mais aqui)
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segunda-feira, fevereiro 18, 2008

os Danados do Kosovo (II)

Esta é uma situação surreal; mas suponhamos que umas quantas centenas ou milhares de traficantes de droga estrangeiros que operavam com as lanchas rápidas na Galiza se transferem para o Porto, assentam quartel general na Foz e, com a ajuda militar e financeira dos Estados Unidos, Nato e União Europeia (por esta ordem) declaram a independência do Alto Douro e Minho. Esta é uma situação pouco plausivel para os portugueses; mas aconteceu na Sérvia com a chegada dos traficantes albaneses.

a Notícia
2 de Fevereiro: 60 militares portugueses pertencentes ao Agrupamento Charlie da Brigada Ligeira de Intervenção do Exército seguem de Lisboa para o Kosovo a bordo de um C-130, no âmbito da participação portuguesa na Força de Manutenção de Paz no Kosovo (KFOR)
Os descoroçoados marinheiros que recentemente afirmaram haver mais Almirantes que barcos da marinha não estão a ver o que está para lá da fronteira nacional do seu restrito conhecimento - nem os equipamentos, nem o volume de negócios. Nem o que faz sua excelência o Comandante Chefe das Forças Armadas envolvido em tão estranhas tramóias.

the Big Picture

Em 1997 os Estados Unidos reconheceram que o KLA era uma organização terrorista relacionada com o tráfico de drogas. O enviado especial aos Balcãs do presidente Clinton, Robert Gelbard, também descreveu formalmente o KLA como sendo “sem a menor dúvida, um grupo terrorista”. Mas a partir da tomada do poder pelo clã Bush em 2000 as coisas mudaram. É um segredo de polichinelo a existência do cartel de droga de Bush-Cheney que opera através da rede de empresas da Brown&Root, de que a Halliburton é uma descendente.

O depois formado “Partido Democrático do Kosovo” foi constituido por membros desta organização terrorista. E o restante espectro politico do Kosovo é dominado por membros do KLA que mantêm relações com o crime organizado. Depois dos bombardeamentos da coligação Ocidental Euro-Americana aos Balcãs o professor canadiano Michel Chossudovsky (em 10 de Abril de 1999) num célebre artigo (ver links no post abaixo) demonstrou com provas que os "Combatentes da liberdade" do Kosovo foram (como continuam a ser) financiados pelo crime organizado”. O anterior primeiro ministro do Kosovo e chefe da “Aliança para o Futuro” Ramush Haradinaj, eleito em 2004, também é chefe do Exército de Libertação do Kosovo e no âmbito destas relações com o mundo do crime e da droga foi também acusado de crimes de guerra pelo Tribunal de Haya em 2005.

Óbviamente esta e o marido também estão metidos nisto

A ocupação do Kosovo por parte da Aliança Atlântica (NATO) corresponde aos objectivos da politica externa dos Estados Unidos. Assegura uma zona de influência norte-americana extremamente militarizada na Europa meridional. E essa militarização assegura as rotas estratégicas dos oleadutos e dos corredores de transporte que unem a Europa Ocidental com o Mar Negro. Também protege o multimilionário tráfico de drogas que utiliza o Kosovo e a Albânia como lugares de trânsito para os envios por barco da heroína proveniente do Afeganistão para os canais de abastecimento a toda a Europa. Claro que partindo destes pressupostos a missão de ocupação da ONU constitui um enorme fracasso compartilhado integralmente pela União Europeia. Quem o diz é o General italiano Fabio Mini: “a UE faliu tanto no que respeita à guerra quanto à reconstrução. Agora, nove anos depois do Acordo de Dayton, avaliza uma independência unilateral que terá consequências sociais desastrosas
Mas a NATO entre a perspectiva da integração do território na Sérvia e a desintegração dos seus interesses (depois de uma guerra e ocupação estimadas em 2,4 triliões de dólares) considera que há uma necessidade urgente de tratar novamente das questões fundamentais da região. O que é isto que se mostra nesta fotografia?

É um novo campo como Guantanamo nas montanhas de Pristina no Kosovo? Ou faz parte da política do século XXI da “diplomacia dos porta-aviões”? Camp BondSteel é a maior base militar construida no estrangeiro desde a guerra do Vietname. Faz parte da rede estratégica norte americana para controlar os campos petroliferos do Cáspio. O projecto de construção desta autêntica cidade foi previamente executado antes da agressão contra a ex-Jugoslávia e sua implantação tem vindo a ser financiada pelas companhias petroliferas e pelas construtoras como a Halliburton de Dick Cheney (ver mais pormenores aqui)
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