“variações infímas podem alterar irreversivelmente o padrão dos acontecimentos” Uma simples mistificação dos economistas americanos, fazendo tábua rasa da distinção entre o Valor de Uso e o Valor de Troca das mercadorias, cientificamente dada a conhecer á Humanidade por Karl Marx em “O Capital” moldou o mundo do pós-guerra tal e qual o conhecemos.

Segunda-feira, Novembro 17, 2008

quem elege os Presidentes?

making off da economia de guerra

Ronald Reagan era apenas um vulgar relações públicas na multinacional General Electric quando foi “escolhido” para candidato – pode-se imaginar como tão insignificante criatura foi responsável pela desregulamentação global, pelo desmantelamento do new deal e a livre circulação de capitais, principalmente legalizando os sediados em off-shores; será que este salto que inaugurou o neoliberalismo foi decidido por uma parda figura de hollywood? – o estudo da génese do conglomerado General Electric/NBC, que é uma das corporações mais tóxicas e letais do mundo, demonstra qual o papel das Multinacionais na politica contemporânea. Herdeira da alemã AEG (praticamente destruida no final da II Grande Guerra) a empresa renasceu com o triunfo dos Estados Unidos, os 30 anos gloriosos de exploração neocolonial e o assalto final da globalização selvagem; escusado será dizer que desde a fundação da AEG pelo judeu Emil Rathenau na Alemanha do início do século XX, passando pelas ramificações familiares consubstanciadas no secretário de Estado judeu “americano” Hans Morgenthau (1904-1980), até ao actual guru da gestão Jack Welch, a General Electric é uma corporação de génese 100 por cento Judaica (ou seja, a mesma comunidade que gere a emissão de moeda através da Reserva Federal). Eis um dos ângulos da parte crucial da história clássica (por cortesia da Monthly Review), e dois lembretes visuais aleatórios para duas caras do sistema (escusado será dizer que a Time/AOL é o maior conglomerado de Media mundial, do mesmo grupo da GE), uma imagem de 1980 e outra (The New Liberal Order) de hoje em 2008, mas mascarada de Roosevelt, ou seja da época em que o negócio de armamento do complexo militar usurpou de vez os centros decisores da politica:

A Economia de Guerra Permanente e o Keynesianismo Militar

“Em Janeiro de 1944 Charles E. Wilson presidente da General Electric e chefe executivo do Departamento de Produção de Material de Guerra proferiu um discurso na “Army Ordnance Association” (que dois anos depois serviu de minuta para o famoso discurso de Eisenwover em 1946) advogando uma economia de estado de guerra permanente. De acordo como o plano de Wilson proposto nessa ocasião, cada grande companhia fabricante deveria ter uma “ligação” representativa com os militares, delegados esses aos quais seriam dadas comissões de serviço com o posto equiparado a coronel na reserva. Esta deveria formar a base de um programa, a ser iniciada pelo presidente como comandante em chefe em colaboração com os ministérios da Guerra e da Marinha, desenhado para agregar as corporações e os militares em conjunto numa única força – unificando forças armadas e complexo industrial. “Não é mais natural e lógico” perguntou, “que nós possamos reforçar a nossa politica sobre o facto de dispormos de uma capacidade industrial para a guerra, e uma capacidade de investigação para as guerras que já pressentimos hão-de vir? Quer-me parecer que qualquer coisa menos que isso é uma grande loucura”. Wilson saiu a terreiro para indicar que neste plano a parte a ser desempenhada pelo Congresso se restringiria a votar os fundos necessários. Para além disso, era essencial que a Indústria fosse autorizada a jogar um papel central neste novo estado social de guerra sem que fosse atingida politicamente “or thrown to the fanatical isolacionist fringe [e] marcada com o rótulo de “mercadores-da-morte

Na chamada, ainda até antes da Segunda Grande Guerra, a ficarem mais perto para “um programa continuado de preparação industrial” para a guerra, Charles E. Wilson, vice presidente do "War Production Board" (muitas vezes referido como “General Electric Wilson” para o distinguir do “General Motors Wilson” – Charles Erwin Wilson, presidente da General Motors e Secretário da Defesa de Dwight Eisenhower) articulou um ponto de vista que caracterizava a oligarquia dos Estados Unidos como um todo durante os anos imediamente a seguir à IIGrande Guerra.
Em eras anteriores isso fôra assumido como havendo uma economia informal de comércio de “armas e manteiga”, e que os gastos militares deveriam ocorrer a expensas de outros sectores da economia. Contudo, uma das lições da expansão económica do regime nazi alemão, seguida pela experiência dos próprios Estados Unidos em armar-se para a Segunda Grande Guerra, foi que esse grande incremento nos gastos militares poderia actuar como grande estímulo para a economia. Em apenas seis anos sob a influência da IIGrande Guerra a economia norte americana expandiu-se em 70 por cento, recuperando finalmente da Grande Depressão. A era para além da “Guerra Fria” viu também a emergência daquilo que mais tarde ficaria conhecido como “keynesianismo militar”: a visão que promovendo uma procura efectiva e suportando os benefícios monopolistas dos gastos militares poderia ajudar a sustentar as bases de apoio do capitalismo nos EUA. (Charles E. Wilson: “For the Commom Defense”)
John Maynard Keynes, no seu clássico “Teoria Geral do Emprego, Dinheiro e Juros”, publicado em 1936, em pleno clima de grande Depressão, argumentou que a resposta a uma estagnação económica era a promoção efectiva da procura através dos gastos (investimentos) do Governo. A falsificação abastardada do keynesianismo que ficaria conhecida como “keynesianismo militar” foi a visão que isto teria melhores efeitos com menos consequências negativas para os grandes negócios (big business) – se houvesse uma prevalência pelos gastos militares (..)”

ver o artigo da MR de Outubro: "O Triângulo Imperial dos Estados Unidos e os Gastos Militares"
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Domingo, Novembro 16, 2008

Congresso Internacional Karl Marx

Ao contrário da Internet onde existem milhares de referências, como se suspeitava por antecipação, este evento onde se participou com mais de 200 teses postas à discussão e ao qual assistiram centenas de participantes para colocar questões sobre linhas de conduta futura para a Esquerda, não encontrou espaço noticioso na "grande imprensa". Só hoje, ao fim do 3º dia (como compete a todos os cristos políticos) a notícia do Congresso se deu à estampa, numa nota marginal de rodapé a 1/8 da página 22, ainda assim para tabloidizar que "Louçã acusou a elite cavaquista" sobre o caso BPN. Maior destaque ao Congresso seria dado também hoje na coluna de Vasco Pulido Valente (Público) E quanto maior, mais bronco. VPV dá à estampa a maior diatribe jamais vista destinada às massas imbecilizadas pela "boa imprensa". É pena não ter estado presente, ter ficado de fora, senão ouviria pelo feed-back de Zygmunt Bauman que: "a produção natural de resíduos operada pelo progresso (do staus quo) estende-se agora, na cartografia geral, aos humanos. Os resíduos humanos encontram-se nos territórios da alteridade, no exterior das fronteiras e são, acima de tudo, o resultado angustiante de uma perversa combinação de lucro desenfreado e hipocrisia cultural" - senão mesmo do embuste que encobre a verdade para esconder a ladroagem de colarinho branco. É esta classe*** que VPV representa nos Media, quando afirma que "os governos tomaram medidas "socialistas" de nacionalização ou fortalecimento dos bancos com o dinheiro do contribuinte" - o que não é de todo verdade: a administração do BPN, o PSD em peso (um dos quais é conselheiro de Estado nomeado por Cavaco) pura e simplesmente roubou (é o termo) milhões para os depositar, via off-shores em contas pessoais que gerem fortunas (e agora os prejuizos serão distribuidos pelos contribuintes - essa é que seria a redacção correcta!):


Sobre o que disse quanto ao Congresso em si, não vale a pena perder muito tempo com tão ruim defunto: "o proletariado quase desapareceu" disse VPV acrescentando: "é um extrato, coisa muito distinta de classe" *** - fica claro, lá pelas tascas ideológicas que o remuneram: não o vê, logo não existe ( (e no entanto elas movem-se - as classes não são necessariamente uma comunidade visivel organizada, são pessoas dispersas cujas situações são definidas em relação à sua posição na estrutura do Mercado) - assim como não enxerga "a luta de classes como motor da História" - não entendendo que uma classe não se define como se fosse um ajuntamento de pessoal dentro de um qualquer quartel, como aqueles de onde Cavaco profere os discursos em linguagem de "economia de guerra" - que é aquela que está a dar e a única que os grandes comentadores do regime entendem.
Pulido Valente (apelido comercial adoptado como herança de um comunista) ignora as três correntes principais europeias: a filosofia clássica alemã, a economia política clássica inglesa e o socialismo francês; ignora o Materialismo Filosófico e a Dialética e por último "falsificou e distorceu informação para confirmar a sua filosófica tese" (palavras de VPV sobre Marx) ácerca da concepção materialista da História para a reduzir a uma análise resumida do "estudo da sociedade inglesa do século XIX" - é quase impossivel imaginar um redactor de populismos mais charlatão.

Quem não leu o embróglio do BPN no Público do último sábado, pode fazê-lo aqui
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Sábado, Novembro 15, 2008

Sócrates e o G20 - (ver ligação)

o único acordo possivel, é que tem de haver uma base de acordo. Imposta.


Depois do rebentamento da bolha financeira especulativa associada ao imobiliário é, na óptica do capitalismo multinacional das corporações, a criação de novas bolhas alternativas onde os investimentos do grande capital (entretanto, depois da destruição dos excedentes, cada vez mais concentrado) que pode ser encontrada a rentabilidade para uma nova génese de acumulação de mais valias. Basicamente não haverá reformas nenhumas no paradigma financeiro neoliberal vigente; isto é o que eles pensam, se entretanto não houver uma movimentação radical de massas que os obriguem a "mudar de ideias" - da parte das populações onde geograficamente se instalam esses novos investimentos não haverá contestação: o "desenvolvimento" local definido por estrangeiros e a abertura de linhas de crédito para consumo são bem-vindas a quem não conhece mais que velhas carências seculares. O pior será, quando dentro de uma ou décadas concluirem que têm de pagar com lingua (e juros) de palmo aquilo que agora lhes parece ser um maná dos céus; enfim, mas como dizia Lord Keynes (referindo-se ao pleno emprego) e os investidores ouviram: "no longo prazo, quando isso acontecer já estaremos todos mortos" - os primeiros de luxúria, os destinatários da pseudo abastança que viram em filmes de hollywood, perecerão novamente de fome. E neste espectáculo económico as novas bolhas vão para:

obviamente o Governo português e o seu robot pré programado Sócrates nada têm a acrescentar ao assunto - como acaba de comunicar no sítio virtual onde vive, hellas a televisão: "os novos grandes investimentos em obras públicas são necessários para resolver a crise" - compreende-se! o novo aeroporto é uma placa giratória para agilizar as comunicações do Capital e dos empresários/ investidores/ accionistas com África; e o TGV uma ligação célere entre os dois maiores polos industriais do país. Ainda que não exista base ecológica para este frenesim, a ganância pelo lucro dos capitalistas não pode parar. Então e as pessoas? os assalariados? e os excluidos pelo sistema? a esses, a cada um Sócrates dará um "magalhães" a baixo custo (ou um Rendimento Minimo Garantido) e mesmo que não passem da mais pura ignorância em tudo excepto na sua especialização específica - a malta está apta a marchar, como mão de obra escrava, dentro do exército social de reserva dos capitalistas, para os sítios (por mais longinquos que sejam), onde existam novas batalhas
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Sexta-feira, Novembro 14, 2008

change (IV) - os Exércitos Sombra

Ninguém sabe ao certo, mas acredita-se que mais de 40 por cento do orçamento militar vai para empreiteiros privados, incluidos empresas de segurança (exércitos) privados.
Existem milhares de mercenários privados operando na retaguarda das forças militares ocupantes no Iraque e em inúmeros outros sítios por esse mundo fora.
Aproximadamente 1000 foram mortos apenas no Iraque, mas o número de feridos não está contabilizado. Têm no curriculo diversas acusações por assassinato de civis a sangue frio. Sem problemas segundo o Departamento de Estado presidido por Condi Rice. Nem o próprio Congresso está habilitado a descobrir exactamente quantos mercenários a administração dos Estados Unidos lá empregam. Uma destas firmas, a famigerada Blackwater USA, uma grande apoiante de George Bush, opera agora também dentro do país. Estiveram presentes para impôr a ordem após o rebentamento dos diques em New Orleans. O seu contrato para assegurar a segurança aos “diplomatas” dos invasores americanos do Iraque acaba de ser renovado. Porquê?

o Departamento de Estado reclama que não consegue arranjar mais ninguém para desempenhar tais trabalhinhos. “Não podemos operar no Iraque sem as empresas de segurança privadas, disse em tempos o subsecretário Patrick F. Kennedy – “Se retirarem esse tipo de forças, os militares serão forçados a sair também” – bizarro, não será?
Para recordar como funcionam estas empresas, e de como funciona tudo isto, pode-se aceder a este video da "Brasschecktv.com"

War PLC

a Ascenção das Novas Corporações de Mercenários – (The Rise of the New Corporate Mercenary)

O livro de Stephen Armstrong faz-nos entrar no mundo dos Contratos das Empresas Privadas – equaciona uma listagem de corporações com acções cotadas em Bolsa, uma versão actualizada ao neoliberalismo dos velhos a grupos de mercenários que actuavam de motu próprio por conta de individualidades obscuras, (como o filho de Margareth Tatcher, condenado judicialmente em África)
Eles agora não são mais os enlameados Cães de Guerra negociando no terreno exércitos privados em prósperos acordos locais protegendo da ameaça das populações iradas a exploração de riquezas minerais – a nova vaga de soldados privados operam segundo contratos de milhões redigidos por executivos nos seus escritórios de negócios em Londres, Washington, Paris ou Oslo.
Conquanto todos os operacionais regra geral sejam ex-soldados de Forças Especiais, a CIA fala em “legionários estrangeiros”: encontramos-os trocando tiros com os insurgentes em Bagdade, patrulhando edifícios governamentais no Afeganistão, espiando os activistas em manisfestações contra a degradação ambiental, ou protegendo barcos com carregamentos piratas em águas internacionais.
Depois dos lucrativos contratos proporcionados pela “Guerra contra os Terrorismo”, os planos destes homens tornaram-se ainda mais ambiciosos – no sentido de oferecer aos governos e corporações empresariais discretos e bem treinados exércitos privados. Com as democracias ocidentais não muito dispostas a ver os seus filhos morrer em poeirentas terras estrangeiras, eles são parte das nossas novas grandes subcontratações em outsourcing na grande empreitada da privatização da guerra. Este livro examina como chegámos até aqui, como estas companhias operam, e como estamos tão próximos de permitir-lhes fazer a gestão dos (nossos) campos de batalha engendrados pelas nossas oligarquias
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Quinta-feira, Novembro 13, 2008

a crise do Estado

vinda de Espanha, eis a crise concreta explicada em 5 minutos: em princípio, os culpados são os sem-abrigos, porque não têm poder de compra

7min.07seg.


o “Declínio do Capitalismo” é uma ideia antiga que foi expressa em livro pela primeira vez pelo economista marxista russo Ievgueni Preobrajenski; a obra consiste num estudo teórico sobre a grande crise do sistema capitalista iniciada em1929 - só "resolvida" pela 2ª grande guerra mundial.

Por tradição da Esquerda, a degradação do capitalismo e a ideia de colapso está associada ao declínio do Estado. Conquanto nem a designação de “o Capitalismo” nem a de “o Estado” representem no presente o mesmo significado dos primórdios da era da industrialização do tempo de Marx, há que definir os dois conceitos hoje, mantendo a compreensão da natureza de classe do Estado, embora o papel actual deste esteja dissimulado pelo fetichismo (do espectáculo) que as classes dominantes lhe associam – no essencial é a relação entre economia e política que conta – vista pela lente daquilo a que Lenine chamou “o instinto de classe”: e são factos correntes que as personagens que gerem as corporações económicas já não se distinguem dos delegados que gerem tarefas políticas, duas vertentes que aliás transitam e se interseccionam entre si, não à margem, mas dentro do aparelho de Estado.
Na medida em que não dispomos de meios (de participação democrática) para alterar este panorama (como Rosseau dizia aos ingleses: vocês só são livres no dia das eleições) há que compreender o Neoliberalismo a partir da dinâmica da luta de classes: as classes não são uma comunidade organizada, são pessoas dispersas cujas situações são definidas em relação à sua posição no mercado. A fusão entre economia e política explica per si qual é o papel do Estado no processo de acumulação capitalista e deixa claro qual é a classe dominante no processo.

No regime de acumulação financeirizado mundial (Chesnais: a Mundialização do Capital) o Crédito, ou seja, a função monopolista da rede de criação de Dívida, ocupa um papel central (como no Liberalismo clássico o Banco Central ocupava em relação ao Estado), no sistema capitalista globalizado os principais actores da esfera financeira deixaram de ser os Bancos para passarem a ser as organizações financeiras, holdings, empresas financeirizadas, fundos de investimento isentos de soberania nacional, fundos de pensões nacionais (públicos) ou privados, tudo o que se joga(va) hoje sem escrúpulos na imensa roleta de casino em que se transformou a economia mundial.

Ao estudar os limites d“o Estado na sociedade capitalista” (Nicos Poulantzas) os euro-neo-marxistas concluem, valha-lhes isso antes do suicídio, que estamos longe do emprego do termo “Capital” como Dinheiro (Moeda) do tempo do Liberalismo clássico e dos Bancos como caixas de depósitos de poupanças – de que vale às classes médias poupar, como Sísifo, se a rede de emissores de papel moeda imprime dinheiro sem trabalho nem valor acrescentado deitando no caixote do lixo da hiperinflação essas poupanças? – o termo capital-dinheiro foi utilizado por Marx sempre para designar o Capital na forma monetária, nunca como forma autónoma de Capital que vence juros e se multiplica (replica) de forma cancerígena sobre si mesmo.
A actual ofensiva das classes dominantes desterritorializadas que se movem através das redes de investimento sedeadas em offshores contra o Trabalho e contra os Estados nacionais é feita em nome do Capital Financeiro – empreitada que se designa genericamente por Neoliberalismo, doutrina que reduz a Política ao desempenho mediático de figurantes com a mera função de papagaios recitativos, cujo discurso oculta as deliberações das corporações financeiras multinacionais. São precisamente estas que estão em crise de sobreprodução o que gera a quebra na concessão de Crédito por a capacidade de Consumo se ter esgotado em milhões de pobres para que houvesse uma acumulação desmesuradamente desigual para os ricos.

O Neoliberalismo está em processo acelerado de falência, mas o Liberalismo, e a social-democracia que lhe estava associada ao tempo das funções clássicas dos bancos nacionais, é uma carta obsoleta fora do baralho da História.

Adenda
Conceitos elementares como “poder” “desigualdades” e “classes sociais” nas sociedades ocidentais contemporâneas são fundamentais para as ciências sociais, nomeadamente para a Geografia, na medida em que as diferentes formas físicas e humanas de apropriação e de transformação dos espaços traduzem relações de poder e as desigualdades sociais presentes nas estruturas sociais, que se espelham e se interpenetram com as estruturas espaciais. Atendendo ao papel basilar de autores clássicos no desenvolvimento da análise sociológica do poder e das desigualdades sociais, expõem-se no link abaixo as principais dimensões da teoria das “classes sociais” (Karl Marx) e da “estratificação social” (Max Weber)
ver Helena Machado, Universidade do Minho, in “Geo-Working Papers”

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Quarta-feira, Novembro 12, 2008

o banqueiro
visto do outro lado do espelho

primeiro disse como o outro, que não sabia de nada, depois,
o governador do Banco de Portugal diz esta coisa extraordinária: "Sem crise financeira internacional, o BPN podia salvar-se"!, - foi o que descobriu ontem Vítor Constâncio perante os deputados presentes na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças - assim sendo saíu-se da normalidade da corrupção financeira; a falência do BPN e o arresto dos prejuizos pelo Estado são uma anormalidade,,, sem dúvida, está como o diabo gosta, e o Diabo veste Prada, sempre sempre ao serviço dos Direitos do Homem de Negócios - neste particular os grandes cérebros do regime alinham com a extrema direita afecta ao Diabo (ou ao CDS sempre a jeito para surfar os ressentimentos populares) onde alguém esta semana afirma em capa que: "não se trata de uma crise do capitalismo, mas sim de uma crise do Estado"
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Marx e Wall Street

“O sistema de crédito centralizado nos bancos nacionais e os detentores do grande capital que o rodeia, dá a esta classe de parasitas um poder fabuloso, não só para controlar os capitalistas industriais, mas tambem para intervir directamente na produção da maneira mais perigosa – Esta gente nada sabe sobre produção e nada tem a acrescentar sobre isso” - Karl Marx in “O Capital” vol.3, cap.33

o que faz o Marxismo ter uma vida tão longa, depois de supostamente ter sido sepultado pela queda do Muro de Berlim, pela desintegração do capitalismo de Estado na União Soviética, pelo decretar americano do fim da História e agora da queda capitalista da Rua do Muro (tradução literal de Wall Street) mesmo depois da ascenção de tantas correntes pós-modernas no meio da intelectualidade académica? simplesmente o facto de que a sua filosofia permanece viva e actual porque não se restringe a interpretar o mundo, mas sobretudo porque é uma doutrina que pretende transformar o mundo.

A Cultra, o Instituto de História Contemporânea e a rede Transform promovem nos dias 14, 15 e 16 de Novembro de 2008, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o Congresso Internacional Karl Marx.

"A presente crise financeira e económica do capitalismo global iniciada nos EUA, a mais grave desde o crash de 1929, recoloca a pertinência das abordagens marxistas sobre a economia, a sociedade, as ideologias e a política nas sociedades capitalistas. Talvez por isso se registou uma tão significativa adesão de contributos: comunicações que analisam os marxismo enquanto instrumentos de interpretação e transformação do tempo presente (...) (programa e mais informações aqui).

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Terça-feira, Novembro 11, 2008


Invocando que foi tendo em conta a «protecção dos depositantes» (embora o BPN fosse um banco de investimento e não um mero banco comercial) sua excelência o presidente Cavaco lá promulgou o decreto que salva os seus compinchas de Partido de se responsabilizarem pelos danos causados pela falência fraudulenta do negócio privado do Banco Português de Negócios; assim, já que se trata de dinheiro da malta que vai arder, se soubesse que em última instância me respaldavam as golpadas, asneiras e baldas de gestão, até eu modesto trolha montava o meu negócio, de por exemplo 600 milhões de euros, punha a coisa a facturar e depois, plof - seria mais um "escândalo financeiro" diria o zé, mas não é, como dizem os eruditos, assim sendo passava a ser uma questão de Estado!

**** nota adicional sobre o link acima:
previsivelmente, Pulido Valente faz um retrato da famíglia PSD incompleto - na câmara escura, faltou mencionar que Aguiar Branco (Pai) é Presidente da Assembleia Geral do BPN (Aguiar Branco, o filho, o homem forte do Norte, foi o ano passado convidado do Grupo Bilderberg) e omitiu que Rui Machete presidente da mesa do congresso do PSD durante vários anos é também presidente do grupo de holding do BPN, a Sociedade Lusa de Negócios, para além de presidir à toda poderosa Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento (FLAD) - deve ser a partir desta ligação que nasceu a séde do BPN naquele edifício de São Sebastião da Pedreira - precisamente o que foi construido por uma empresa de construção detida pelo ex-embaixador Frank Carlucci
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Segunda-feira, Novembro 10, 2008

Miriam Makeba 1932-2008

Ganhou o direito a ser entronizada com o título de Mama África; costumava dizer: “continuarei a cantar até ao último dia da minha vida” – Zenzile Miriam Makeba colapsou este domingo aos 76 anos a um palmo do palco, em Caserta, uma pequena cidade italiana, no final de um espectáculo contra o Racismo que incluiu também uma homenagem ao escritor e jornalista italiano Roberto Saviano ameaçado de morte pela máfia napolitana.
Das milhares de causas que defendeu, que afinal é apenas uma: a causa da Liberdade (e a segregação económica é uma forma de opressão) fez talvez a sua mais magnifica aparição quando compôs e interpretou para delírio das multidões na independência de Moçambique a canção “A Luta Continuaem honra de Samora Machel, lider incontestado da Frelimo. Por altura do aniversário do assassinato do histórico líder africano (1986), compareceu na homenagem em sua honra, noutra fabulosa aparição (em 2001), na presença dos lideres libertados do criminoso regime do apartheid


link do video encontrado junto com os "SowetoBlues" em WeShow

recordando
a cadeia de televisão sul-africana SABC-3 passou no dia 7 de Outubro último o documentário "The death of a President" (a Morte de um Presidente) sobre o assassinato de Samora Machel - onde Hans Louw um capanga do tempo do apartheid, ex-operacional das forças especiais sul-africanas CCB fala explicitamente do seu envolvimento na "queda" do avião onde seguiam mais trinta e três pessoas da comitiva presidencial. Uma transcrição das declarações de Louw envolvendo Pik Botha e outros está disponível aqui. Face aos dados disponiveis o processo do crime deverá ser aberto de novo e reinvestigado
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Change (III) - Obama, FMI e Multinacionais

Coloco diante de ti a vida e a morte, a felicidade e a maldição. Escolhe a vida (…) Deuteronómio XXX: 19

Deve ser exorcisando esta citação que os homens de fato e pasta preta que se empregam no FMI a soldo de assassinos económicos abordam as mais variadas espécies de signatários dos povos para lhes proporem “frutuosos investimentos”. Porque são algumas nações tão ricas e outras tão pobres? - A questão não é de resposta fácil,

ocultada que está pela comunicação uma parte fundamental das três teorias em confronto. É profundamente desonesto reduzir o debate unicamente entre conservadores e liberais (ambas as correntes de acordo com o essencial a aplicar à politica profissional de controlo de massas), enquanto a perspectiva marxista é censurada - como disse o filósofo Daniel Innerarity na Sociedade Invisível, desde que se não mostre a coisa, ela não existe. E tem sido assim que a economia política se tornou numa espécie de espionagem.

Esta será a sétima crise cíclica da economia mundial; diz-se que teve origem na crise imobiliária nos Estados Unidos – porque afectou os ganhos nas empresas dos Estados Unidos – deveria ser um problema interno deles, porém não existem só economias nacionais, nem apenas relações económicas entre nações, existe principalmente uma economia mundial.
clique para ampliar
Existe uma estrutura de produção e de circulação mundial de mercadorias disribuidas por todos os países liderada pelas grandes empresas transnacionais. E quando se fala de crise, é da tomada do poder por estas empresas e dos seus lucros que estamos a falar.

a troupe de Bush será condenada pela História? Ou será Bush o filho querido da vitória? No ano 2000 quando chegou ao poder os lucros das empresas multinacionais norte americanas eram de 851 mil milhões – para em 2008 passarem a ser 1.594 mil milhões, passando pelo pico máximo de 1.673 mil milhões em 2007. Esta pequena diferença no último ano são “as perdas concretas dos EUA na grande crise

Portanto, no problema da especulação financeira que alastrou a todo o mundo, este não é um problema da economia interna americana, mas sim o de que para a análise da crise se devem considerar os elevados e crescentes ganhos das empresas dos Estados Unidos nos outros países. A crise interna no imobiliário não afectou de modo nenhum os lucros totais das empresas produtoras norte americanas de bens e serviços, excepto as infladas financeiras - os ganhos nos outros sectores da economia, por via do fluxo que chega do estrangeiro, continuam a ser muito elevados.

Como se passou da crise económica nos EUA para a crise da economia mundial?. Muitas empresas construtoras tiveram grandes perdas desde o verão de 2007 e muitas delas faliram. Mas, para já não mencionar as indústrias da guerra, por exemplo as grandes indústrias de fabrico automóvel com a produção centrada no modelo fordista das linhas de montagem em grande escala, como a Ford, General Motors ou a Chrysler, tiveram perdas nestes últimos anos, mas enfrentaram-nas com as deslocalizações para outros países e com os lucros obtidos aí e na diversificação dos serviços oferecidos apoiados pela ampla oferta de créditos, criando bolhas em terra alheia. Muitas das empresas com origens na grande indústria, como a General Electric tornaram-se elas próprias em grupos financeiros (GE-Money) – Com Obama como relações públicas desta mesma política, a crise, abrirá caminho para a ruptura do processo de globalização da actual economia mundial, ou o capitalismo, com o seu núcleo duro de empresas multinacionais cada vez mais restrito e concentrado, sairá reforçado neste processo?

referências:
* livro: David S. Landes, "A Riqueza e a Pobreza das Nações" (Gradiva, 2002)

* Landes em relação ao período áureo dos Descobrimentos portugueses "demonstra como o pragmatismo económico e o enquadramento institucional público/privado foram fundamentais. Ao contrário de muitas ideias de heroísmo que existem acerca dos nossos navegadores". (ler recensão)

* artigo de Orlando Caputo: "A Crise e a possivel ruptura do processo de Globalização"
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Domingo, Novembro 09, 2008

o Ocidente, oportunidade inesgotável do renascimento italiano?

Fernando Braudel:
o Modelo de capitalismo mercantil Italiano

“Aparentemente, as cruzadas terminaram no fracasso do Ocidente. Prisioneiro no Egipto (1245) S. Luís morre junto de Tunis, em 1270. Constantinopla volta a ser grega (1261) e, com S. João de Acra (1291) a cristandade perde a sua última praça notável no continente asiático. Mas o mar, em toda a sua extensão e nomeadamente nos seus espaços orientais, continua a ser dos marinheiros e mercadores da cristandade. E esta vitória apaga tudo. (até mesmo o início da decadência após a IV Cruzada, chamada a do Comércio, quando cristãos se começaram a bater contra cristãos).
Com a experiência, no plano económico, nada será alterado quanto aos antigos privilégios, sobretudo os das escolas de navegadores e mercadores de Génova e Veneza. E a Itália frequentará a seu bel-prazer, até ao fim do século XIV, os portos e mercados da Síria e do Egipto onde o grande comércio do Levante reencontrou as suas saídas essenciais, em direcção ao mar Interior e aos mercados do Ocidente: Tripoli, Alepo, Beirute, Damasco, Alexandria, mais tarde o Cairo. Seja na franja marítima, seja até aos grandes centros caravaneiros do interior próximo, os mercadores italianos e outros da cristandade quando não ditam a lei, impõem pelo menos a sua presença, tomam a seu cargo as mercadorias das aos dos mercadores orientais, cujo monopólio termina a certa distância, mesmo junto ao mar. Assim conseguem as drogas, os produtos de tinturaria, a pimenta, especiarias, o algodão em fio ou tecido, a seda, o arroz, as leguminosas... Como curiosidade e o interesse foram bem cedo despertados a propósito das mais preciosas destas mercadorias – a pimenta e as especiarias – a expedição dos irmãos Vivaldi, partida de Génova, lança-se para além de Gibraltar à aventura atlântica, para se perder de pessoas e bens, obscuramente, nas costas africanas. A sua tentativa, em 1291, situa-se no ano em que caiu São João de Acra. Procurariam o caminho que Vasco da Gama irá encontrar dois séculos mais tarde?

A presença italiana no Norte de África apresenta caracteristicas análogas. Atinge todas as cidades portuárias: Tripoli da Barbária, Túnis, Bona, Bougie, Argel, Oran, Ceuta... no interior das terras, os italianos estão presentes, ao lado de marselheses e catalães, por exemplo, num grande centro como Tlemcen. Nestes diversos pontos existem colónias comerciais activas. É um jogo comprar em Génova cartas de câmbio pagáveis sobre Oran e sobre Túnis. O Norte de África entrega constantemente os seus produtos em bruto, couros, cera, trigo e o que lhe traz o comércio sahariano, as tâmaras, os escravos negros, os dentes de elefante, as plumas de avestruz, o ouro em pó do Sudão. Em Túnis, o ouro dos mercadores venezianos é levado, por maior segurança, pelas galeras da Signoria que o transportam até Corfu, ocupada desde 1385, praça essencial através da qual Veneza domina a entrada do Adriático e vigia o vasto mar praticamente no ponto de junção das suas duas bacias, a oriental e a ocidental.

Assim, o Islão senhor das suas terras, abre-se ao estrangeiro pelo mar insidioso onde navegam sozinhos, ou quase sozinhos, os navios da cristandade. E para que aquilo que se passa no Oriente e no Extremo-Oriente se reproduza quase fielmente no Norte de África e no Sahara, em 1447 um genovês, Antonio Malfante, avança até ao Touat, uma vez que outros já conheciam a direcção do ouro do Sudão (as Terras do Preste João). Nesta época as caravelas portuguesas percorrem já o litoral atlântico até ao golfo da Guiné. Então quem vai ganhar: o mar ou a terra?, o português ou o genovês?

Posto isto, ou melhor, esboçado, não esqueçamos que muitas viagens que penetraram profundamente através das areias, das montanhas e dos desertos nos são francamente desconhecidas. Só por acaso Malfante foi assinalado. O Islão por certo foi muitas vezes atravessado por ocidentais. Para tomar um único exemplo, sem remontar até Marco Polo; Niccolò Conti, nascido em Chioggia no Dogato Veneziano, efectuou uma visita prolongada à Índia e à Insulíndia, entre 1415 e 1439. Assim, Vasco da Gama não “descobriu” a Índia no sentido preciso da palavra, mas sim um caminho inteiramente marítimo para a atingir. Aliás, encontrou lá, segundo Sanudo, venezianos bem instalados. Pequeno episódio: quando, a 21 de Maio de 1498, a frota de Vasco da Gama lançou âncora na baía de Calicute, vêm ao encontro destes emissários dois mouros de Túnis que falam catalão e genovês. “Que diabo vos trouxe até aqui!?”, exclamam. A resposta dos portugueses é bela: “Vimos buscar cristãos e especiarias

Veneza: as Galere da Mercato

“Esta volta pelo horizonte exterior mais afastado requer uma conclusão (sobre a organização politica e social das estruturas do capitalismo mercantil), antes de se abordar os grandes problemas do interior. Trata-se do “filme” das viagens das galere da mercato venezianas, montado em cargas sucessivas, de 1332 a 1534, por Alberto Tenenti e Corrado Vivanti (1961). É certo que Veneza não é senhora única dos espaços dominados pelo mercantilismo italiano, mas está no centro da prosperidade criada em detrimentro de outrem e é, a este título, exemplar. Desde o século XIV que a Signoria pôs navios construídos no Arsenal a expensas suas à disposição dos seus patrícios que detêm na cidade ao mesmo tempo as chaves do negócio e as rédeas da governação. Estas galeras, a princípio de cem toneladas e que virão depois a atingir duzentas e duzentas e cinquenta toneladas (galeras, mas os remos servem-lhe apenas para entrar e sair dos portos – navegam à vela) são todos os anos postas a concurso público e alugadas à melhor oferta, combinando os adjudicatários com os outros mercadores a composição das cargas. As tarifas do frete, o calendário das viagens são fixados sob a vigilância das autoridades em exercício. Veneza procura obstinadamente privilegiar as suas ligações, colocar os seus transportes ao abrigo de toda a concorrência. Houve aí uma espécie de dumping de longa duração, com o Estado a subvencionar os particulares. A data essencial para a instauração do sistema foi talvez o ano de 1346 (o ano de Crécy) em que, pela primeira vez, constatamos a existência das galeras ditas da Flandres, que são a principal ligação da economia italiana com os panos dos Paises Baixos, a lã, o chumbo e o estanho de Inglaterra.















Em 1450, todas as ligações estão simultaneamente estabelecidas: galeras da Romagna que vão atá La Tana e Trebizonda; galeras da Síria; galeras de Alexandria; galeras de Aigues-Mortes e, a partir de 1436, galeras da Barbária (a patir de 1442 acrescentaram o Egipto à cabotagem que praticam de porto em porto, ao longo das costas do Magrebe). Todos estes comboios (de duas a cinco galeras) se condicionam: as mercadorias trazidas por uns são entregues aos outros, em datas mais ou menos fixas, nos armazéns da Dogana da Mar. Os transportes de Veneza são pois um sistema vivo, interligado. Naturalmente as “galeras de mercado” não excluem os navios de particulares, dos quais os mais importantes são os grandes navios de casco redondo, as naus enormes das mude da Síria que vão carregar volunosos fardos de algodão. A ida e volta das mude (em geral, seis meses de viagem) representa o circuito mais rápido possivel para a rotação dos capitais mercantis, reduzindo-se a operação a enviar dinheiro e revender algodão. Os mercadores menos afortunados ou que menos arriscam têm preferência por este comércio ágil que não imobiliza os seus haveres durante muito tempo.
Em 1450, os itinerários dos navios da Cidade-Estado, as viagens oficiais, esboçam em suma uma imagem bastante exacta de um polvo cujos braços e tentáculos abarcam todo o espaço atingido pela Itália fora da Peninsula. Veneza, e a exemplo seu as outras cidades de Itália, colocam assim em portos distantes as suas mercadorias procedentes do Oriente, o seu dinheiro, para que refluam até elas riquezas muito superiores. Nada revela melhor do que o mapa das viagens venezianas este trabalho coordenado, esta dominação calculada do espaço, esta superioridade no domínio decisivo dos transportes, de que a Itália se alimentou e de que viveu muito tempo”. Até à subjugação financeira e ao triunfo da forma do Estado supra- nacionalidades de modelo europeu.

a globalização Financeira

Chegados e instalados naquele pequeno espaço murado e fechado ao mundo por iniciativa própria, cerca do ano de 1450 existiam ali
5 sinagogas
! - o Conde Giovanni Pico della Mirandola (1463-1494) teo-sófico autor do “Discorso sulla dignità dell'uomo” , considerado um verdadeiro “Manifesto do Renascimento” (editado pela Almedina), é o primeiro erudito cristão a mesclar elementos da doutrina cabalística e teologia cristã. No final da sua curta vida de 31 anos, destrói os seus trabalhos poéticos e torna-se um defensor do Cristianismo contra os Judeus, astrólogos e o misticismo oriental de raiz muçulmana. Só 500 anos depois se descobriu que Pico della Mirandola foi assassinado.
Na idade moderna, até à invasão napoleónica o negócio tinha prosperado, e os Judeus constroem o Ghetto Nuovo ampliado para receber estudantes (o saber é a alma do negócio) no local onde ainda hoje se situa o campus Universitário. Uma vez que as esmolas dos bentos fiéis são parcas, sempre à rasca de massas, quem gosta muito destes nobres beneméritos hebreus ligados ao negócio da finança desde tempos remotos é a insuspeita ICAR:
“Chiunque si interessi della cultura del mondo occidentale non può non conoscere la storia del popolo ebraico, della sua cultura, della sua religione ed il rapporto della Serenissima (Repubblica di Venezia) con i suoi abitanti di religione ebraica è parte importante di questa storia. E' in questa prospettiva che si è deciso di andare a Venezia, a visitare il Ghetto - Ebrei, nostri fratelli maggiori"
Giovanni Paolo II
Não é de estranhar que a Igreja esteja a conciliar com os judeus a "aliança perfeita" - religião e finança. Afinal a história moderna da ICAR sequestrada pela OPUS DEI não é outra coisa senão uma história de assassinatos selectivos - desde João XXIII até ao arcebispo Oscar Romero, passando pelo "banqueiro de deus" Roberto Calvi
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Sábado, Novembro 08, 2008

change (II)

Cui bono Obama?

a aparição de Obama perante a AIPAC foi um espectáculo que “bateu todos os recordes de obsequiosidade e adulação” - (Uri Avnery, escritor e pacifista israelita)

Yes We Can!, Sim sim nós podemos; e como "querer é poder", chegados ao Poder vimos dizer-vos o que queremos – Obama deu a primeira conferência de imprensa ontem às 19.30, assessorado pelo multimilionário Warren Buffet, pelo autor, enquanto presidente da Reserva Federal da aplicação prática da desregulamentação neoliberal Paul Volcker, e pela equipa administrativa de Bill Clinton em peso.

E para supervisionar tudo lá estava o inevitável Judeu de serviço: Rahm Emanuel (traduzido à letra do hebraico “o Elevado, Deus Entre Nós”) o nomeado chefe de gabinete de Obama na Casa Branca - será ele que lhe dará disfarçadamente as cotoveladas em caso de deslize do “presidente”.
Antigo assessor de Clinton quando a presidência terminou saiu para "comissões civis" em dois bancos privados onde em três anos, usando as influências obtidas com os cargo políticos, auferiu 26 milhões de dólares. Em 2001 sentou-se à mesa da administração da governamental Freddie Mac (agora falida), que lhe pagou nesse ano 231,655 dólares. É o terceiro chefe de staff recente que é Judeu, depois de Joshua Bolten (com George W. Bush) e Kenneth Duberstein (com Ronald Reagan)

vamos ver: Rahm Emanuel tem dupla nacionalidade israelita e americana; combateu no exército de Israel; é filho de um operacional do Irgun (um grupo classificado pelos britânicos como “terrorista”); foi considerado pela AIPAC como “o nosso homem no Congresso”; pertence a uma congregação religiosa ultra ortodoxa judaica em Chicago; foi nomeado para chefe de gabinete de Barack Obama – e a imprensa não tem nada a dizer sobre isto!

2min.20seg


* Obama como garante de continuidade. Revisões:
* "o Sionismo como doutrina de hegemonia mundial"
* "O neoconservadorismo como movimento Judeu"
* "o que é o Sionismo?"
* The Power of Israel in the United States
* "Sarkozy: o governo de ocupação sionista em França"
* "FED, a teia de aranha da dívida pública"
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Sexta-feira, Novembro 07, 2008

esta ilha é um jardim,

A.João Jardim faz a sua autocrítica: “a política foi usurpada por gente sem princípios. A constituição tal como está pode ser violada por qualquer bando de fascistas; Estou-me nas tintas para aquilo que possam pensar de mim no continente, ou no estrangeiro” – para se compreender o estado a que a democracia na Madeira chegou, é preciso compreender a base económica que suporta o caciquismo local. A região autónoma é um Offshore e,

para ver se nos entendemos sobre aquilo que estamos a falar e o debate da questão não possa ser inquinado logo à partida - Maria José Morgado defende a «eliminação pura e simples» dos paraísos fiscais.

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1º Colóquio sobre Os Comunistas em Portugal

1921-2008
organizado pela "Política Operária"

na Biblioteca-Museu República e Resistência
dias 7 e 8 de Nov. - entrada livre

Biblioteca-Museu República e Resistência – Espaço Cidade Universitária - Local: Auditório, lote 10 conj. habit. social do Rego, junto à Avenida das Forças Armadas.. Contactos: Tel: 21 780 27 60
bib.republica@cm-lisboa.pt

Destaques
* Sexta-Feira, 18h00 Carlos Zacarias F. de Sena Júnior / Universidade do Estado da Bahia: "A Frente Popular e o VII Congresso da Internacional Comunista"
* Sexta-Feira, 19h30 João Marques Lopes / Bolseiro doutor./da FCT:
"Mário Dionísio, a política cultural do bolchevismo e o PCP. Uma polémica dos anos 50"
* Sábado, 11h45 Miguel Cardina/CES – Centro de Estudos Sociais, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: "O Maoísmo em Portugal (1964-74)"
* Sábado, 12h15 João Madeira / Investigador do Instituto de História Contemporânea:
"O efeito Martins Rodrigues e o «desvio esquerdista» de Maio de 1964 no PCP"
* Sábado, 15h30 Raquel Varela / Departamento de História do ISCTE:
"O papel do PCP no processo revolucionário de 1974-75"

Ler mais no Pimenta Negra

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Quinta-feira, Novembro 06, 2008

please, change

A aviação norte americana bombardeou a madrugada passada, enquanto se contavam os votos, uma casa em Kandahar no Afeganistão, onde decorria uma festa de casamento; no ataque morreram cerca de três dúzias de pessoas. O presidente-títere em exercício Hamid Karzai telefonou a Barack Obama enviando-lhe os parabéns pela eleição - e aproveitou para lhe pedir a ver se ele podia dar um jeitinho para não lhe matarem mais civis. (fonte)

democracia no Iraque, ontem: 16 mortos em ataques à bomba

entretanto, escapando-se entre a barragem dos media, vêm vindo à luz as declarações da insurgência e as razões dos combatentes - Moctada AlSadr: "não ao diabo, não à America, não à ocupação, não a Israel!"
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Obama pousou o telefone e sorriu. "que seria de nós se parássemos tudo de imediato. os porta-aviões em greve. pensou no desemprego, na revolta social, nas manobras financeiras, nos tumultos,,,"tinham-se metido em boas alhadas, enfim (não é nada comigo, só tenho de cumprir com aquilo para que me vendi),,, Despertou abruptamente destes pensamentos transviados - uma voz chamava-o, tinha de ir ter urgentemente com Nancy "Mitzavah" Pelosi não sabia onde. Quando lá chegou ela deu-lhe efusivamente a notícia: Tinha sido eleito o maior número de judeus de sempre para o Congresso! parabéns, mais uma rodada de abraços e beijinhos, Obama sentia-se exausto, lambusado, mas contente por ter esta profissão. apetecia-lhe tomar um banho, calçar as pantufas. estava entusiasmado com a perspectiva de ler refasteladamente o novo Saramago que chegava precisamente amanhã (hoje) às livrarias: na curiosa Viagem do Elefante lá para os lados de Berlim,
já não se distinguia o cornaca que o conduzia da