Pesquisar neste blogue

A carregar...

Quarta-feira, Maio 15, 2013

ir pagando uma dívida impagável, em vez de rejeitar de todo o seu pagamento

entrevista de Francisco Louçã a Mark Bergfeld, publicada na Monthly Review 

P - Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças da Alemanha, o ano passado rotulou Portugal como "o bom aluno da zona euro." Agora, Portugal enfrenta um cenário económico difícil. O desemprego, por exemplo, atingiu 18,2 por cento. O governo de coligação PSD-CDS está a exigir mais tempo para implementar as suas novas medidas de austeridade. Quais são as razões subjacentes para a tendência de queda de Portugal?
R - A recessão foi causada pela austeridade e pela transferência de recursos para os pagamentos da dívida. Como consequência o desemprego atingiu níveis sem precedentes. A queda dos salários e pensões criaram uma espiral descendente da economia. Isto é qualquer coisa, agindo como um bom aluno, certamente este é o preço que nós pagamos para aceitar um governo de Merkel e Schäuble por interpostas pessoas.

P - A crise económica criou fracturas no regime. No início de Abril, o Tribunal Constitucional chumbou quatro das nove medidas de austeridade contestadas. Um membro do governo, Miguel Relvas demitiu-se. O que está a acontecer no topo da sociedade portuguesa?
R - Há uma crise no governo de coligação. Os dois partidos de direita no poder têm dificuldades em impor as soluções da troika - aumento do desemprego, cortar os serviços públicos, aumentar impostos, reduzir a segurança e o bem-estar social. A decisão do Tribunal Constitucional ao contestar estas políticas prova que esta é mais que uma crise política: este é o começo de uma crise do regime. Na Grécia e na Itália, é óbvio que se trata de uma crise regime. Eventualmente, o mesmo vai acontecer com Espanha. É a consequência directa do défice democrático, das medidas de austeridade e das suas políticas falidas.

P - Por toda a Europa, assistimos a três vertentes de resistência à Troika: greves em massa por parte dos trabalhadores, revoltas da juventude, como o movimento dos indignados, e revoltas eleitorais como a do SYRIZA na Grécia, a "Front de Gauche" em França, ou o CUP na Catalunha. Em Portugal, temos vindo a assistir às duas primeiras, mas não se tem visto um aumento no apoio ao Bloco ou do Partido Comunista. Por que é que a esquerda portuguesa não é capaz de tirar proveito de uma situação favorável?
R - As sondagens de opinião indicam um apoio crescente para os partidos anti-troika da esquerda. Hoje, eles representam mais de 20 por cento. Com o objectivo de eleger um governo de esquerda - um governo que seja anti-memorando e apele ao fim do domínio da Troika - é hoje muito necessário. Um governo de esquerda teria que reestruturar a dívida e, parcialmente, o cancelamento da dívida para recuperar a capacidade de investimento e de emprego. O milhão de pessoas na manifestação de 2 de março mostrou a disposição de uma grande parte dos portugueses para lutar pelos seus salários e pensões, como parte das suas responsabilidades democráticas.

P - O montante total da dívida do Estado português situa-se em 209.000.000.000 euros, o equivalente a 126,3% do Produto Interno Bruto. Durante a alter-globalização da última década, activistas do movimento pela suspensão da dívida exigiram o cancelamento da Dívida do Terceiro Mundo. Hoje existem discussões semelhantes sobre "re-negociação da dívida", "anulações da dívida", e "jubileus de dívida" entre a esquerda na Europa. Como deve ser a esquerda europeia responder?
R - Exactamente da mesma maneira. Uma economia com um défice de 3 por cento não pode pagar uma taxa de 4 por cento de juros. Se a dívida cria dívida, o seu cancelamento é a única solução possível (...)
.

Terça-feira, Maio 14, 2013

Portas saiu do último Conselho de Ministros com a taxa das pensões literalmente enfiada pelo olho do cu acima

Habituado a alimentar-se da pornografia politica, exercida despudoradamente sobre feirantes, agricultores, frequentadores de romarias, ex-combatentes do ultramar, reformados, etc. o ex-jornalista e agora ministro Portas, depois que afirmar peremptoriamente que jamais estaria de acordo em ultrapassar a linha de fronteira que põe a salvo do roubo atraves de novos impostos os pensionistas e reformados, "acabou por engolir tudo, a taxa e as palavras" (cm)
Travesti de mil caras, trampolineiro habituado a manipulações e demagogias, réu à revelia em pelo menos três processo judiciais, Portas joga em casa das clientelas ignaras. Mais uma vez representou uma paródia à custa de uma classe desfavorecida, das que têm menos defesa. Fingiu que se insurgiu em defesa dos pobres, quando o governo só tem intenção de cortar nas pensões acima de 1 300 euros, quando se sabe que 80% das pensões de reformas em Portugal são inferiores a 600 euros.

Cavaco acha que o facto da Troika ter admitido uma taxa que não é para aplicar, mas que continua a constar do memorando como  opcional é um milagre de "nossa senhora de fátima".
Não é caso para menos. Embora o povo veja a fraude mais como um  milagre do tipo Oliveira e Costa...

Segunda-feira, Maio 13, 2013

porque é que os portugueses não podem comprar titulos de dívida ao Estado português?

será para não prejudicar o negócio exclusivo da banca privada? 
responde o delegado da Goldman Sachs no governo de Coelho, Portas & Cavaco: "não pode como?, estamos a ver, vamos estudar, (silêncio), está em ponderação, (nicles)

Domingo, Maio 12, 2013

Karl Marx deveria estar morto e enterrado?

Com o colapso da União Soviética e o que dizem ter sido o “grande salto em frente” da China para o capitalismo, o comunismo desapareceu no cenário pitoresco dos filmes de James Bond. A luta de classes que Marx acreditava ter determinado o curso da história parecia ter-se dissolvido numa era de prosperidade do livre comércio e da livre iniciativa. O poder de longo alcance da globalização, que liga os cantos mais remotos do planeta pela via dos aparentemente lucrativos títulos financeiros, a terceirização da economia e a produção "sem fronteiras", oferecidas desde os gurus das tecnologias do Vale do Silicio até às meninas das explorações agrícolas chinesas, tem proporcionado a todos amplas oportunidades para ficarem ricos.

A Ásia nas últimas décadas do século 20 testemunhou talvez o registo mais marcante de redução da pobreza na história humana - tudo graças à produção em massa centralizada no Estado virada para o comércio capitalista, empreendedorismo, investimento e atracção de capital estrangeiro. O capitalismo parecia estar a cumprir a sua promessa - para elevar todos a novos patamares de riqueza e bem-estar. Ou então pensamos - com a economia global numa crise prolongada, e os trabalhadores de todo o mundo atingidos pelo desemprego, pelas dívidas da burguesia e pelos rendimentos estagnados, a crítica mordaz de Marx ao capitalismo - que o sistema é inerentemente injusto e auto-destrutivo - não pode ser tão facilmente descartada. Marx teorizou que o sistema capitalista, inevitavelmente, iria empobrecer as massas à medida que a riqueza do mundo se fosse concentrando nas mãos de uns poucos gananciosos, causando crises económicas e conflitos de elevada intensidade entre as classes ricas e as classes trabalhadoras. "A acumulação de riqueza num pólo é, ao mesmo tempo, acumulação de miséria, agonia das formas de luta, escravidão, ignorância, brutalidade, degradação mental, no pólo oposto", escreveu Marx. Um dossier crescente de evidências tem mostrado à saciedade que ele estava cheio de razão. É, infelizmente, muito fácil encontrar estatísticas que mostram que os ricos estão cada vez mais ricos, enquanto a classe média e os pobres não conseguem o mínimo decente para sobreviver. Um estudo de Setembro último do Economic Policy Institute (EPI) de Washington constata que o salário médio anual de um trabalhador do sexo masculino a tempo integral nos EUA em 2011 era de 48 202 dólares americanos, um rendimento menor que em 1973. Entre 1983 e 2010, 74% dos ganhos da riqueza total nos EUA foram para os 5% mais ricos, enquanto 60% sofreram um declínio. Ninguém fica admirado, portanto, por muita gente continuar a dirigir um segundo olhar à teoria do filósofo alemão do século XIX.


Na China, o país marxista que aparentemente virou as costas a Marx, Yu Rongjun inspirou-se nestes eventos globais para escrever um musical baseado no clássico “Das Kapital” de Marx. "Aqui você pode encontrar a realidade corresponde ao que está descrito no livro", diz o dramaturgo, excepto a “ditadura do proletariado que não funcionou conforme previsto. Mas a consequência do alargamento dessa desigualdade é exactamente o que Marx havia previsto: a luta de classes está de volta. Entre os trabalhadores do mundo inteiro crescem as tomadas de consciência e a vontade de revolta pela exigência da sua justa parte na economia global. Das decisões do Congresso dos EUA para as ruas de Atenas, ou para as linhas de montagem do sul da China, eventos políticos e económicos estão sendo moldados por tensões crescentes entre o capital e o trabalho num grau jamais visto desde as revoluções comunistas do século 20. O modo como essa luta se desenrolar vai influenciar os rumos da política económica global, o futuro do Estado social, a estabilidade política na China, e de todos os que governam a partir de Washington a Roma. O que quer Marx dizer hoje? - "Alguma variação de um: "eu te avisei ", diz Richard Wolff, um economista marxista na New School de Nova York. "A diferença de rendimentos produz um nível de tensão que nós nunca tínhamos visto na nossa vida."

As tensões entre as classes económicas nos EUA estão claramente em ascensão. A sociedade tem sido percebida como a divisão entre os "99%" (a maioria da população lutando para sobreviver) e o "1%" (o privilegiados super-ricos interconectados com o sistema ficando mais ricos a cada dia). Numa sondagem do Pew Research Center divulgada no ano passado, dois terços dos entrevistados acreditavam que os EUA sofrem um conflito "forte" ou "muito forte" entre ricos e pobres, um aumento significativo de 19 pontos percentuais em relação a 2009, classificando o assunto como ponto nº1 na divisão da sociedade. Este clima de elevada tensão domina a politica norte-americana. A batalha partidária sobre como corrigir o déficite orçamental do país tem sido, em grande medida, a luta de classes. Sempre que o presidente Barack Obama fala de aumentar os impostos sobre os americanos mais ricos para baixar o déficite, os conservadores gritam que ele está a lançar uma "ditadura de classe" contra os ricos. No entanto, os republicanos estão envolvidos em alguma forma de luta de classe no seio do seu próprio partido. O plano do Partido Republicano para a estabilização fiscal efectivamente lança o peso do ajuste financeiro para o meio das classes económicas mais pobres por meio de cortes nos serviços sociais. Obama baseou grande parte de sua campanha de reeleição em caracterizar os republicanos como insensíveis às classes trabalhadoras. O candidato Mitt Romney, só tinha um "plano de um ponto" para a economia dos EUA - "para se certificar de que as pessoas no topo jogam segundo um conjunto diferente de regras". No meio da retórica, no entanto, há sinais de que este novo classicismo americano mudou o debate sobre a política económica do país. A economia “trickle-down” neoliberal, que insiste em que o sucesso do 1% dos mais ricos vai beneficiar os 99% mais pobres, está sob escrutínio intenso. David Madland, director do Centro para o Progresso Americano, um think tank com sede em Washington, acredita que a campanha presidencial de 2012 trouxe um foco renovado em reconstruir a classe média. "Eu sinto uma mudança fundamental ocorrendo", disse ele.


A ferocidade da nova luta de classes é ainda mais pronunciada na França. Em Maio passado, quando a dor de cabeça da crise financeira e dos cortes no orçamento feitos indiscriminadamente a ricos e pobres, houve muitos cidadãos comuns que votaram no Partido Socialista de François Hollande por causa da sua proclamação: "Eu não gosto dos ricos". Revelou-se fiel à sua palavra? A chave para a sua vitória foi a promessa de campanha que iria extrair mais impostos dos ricos para manter o Estado de Bem-Estar da França. Para evitar os cortes de gastos drásticos que outros reformuladores de políticas na Europa têm seguido, Hollande tinha planeado aumentar a taxa de IRS 75%. Contudo essa ideia foi inviabilizada pelo Conselho Constitucional do país. Hollande entretanto trama maneiras de introduzir uma medida similar. Ao mesmo tempo, tem se esconder do homem comum por detrás do governo. O presidente reverteu uma decisão impopular do seu antecessor para aumentar a idade de reforma em França, baixando-a de volta à lei dos 60 anos para alguns trabalhadores. Mas quer ir ainda mais longe. "A proposta de imposto de Hollande tem que ser o primeiro passo para a reforma integral do capitalismo, reconhecendo o governo que o sistema na sua forma actual tornou-se tão injusto e disfuncional que corre o risco de implodir sem se ter tido tempo de efectuar nenhuma reforma profunda. Estas tácticas, no entanto, estão a provocar uma reação da classe capitalista. Mao Tsé Tung poderia ter insistido que "o poder político nasce do cano das espingardas", mas num mundo onde “o capital” tem cada vez mais mobilidade, as armas da luta de classes mudaram para uma maior sofisticação. Ao invés de pagar para tentar comprar Hollande, (como é uso fazer com os governantes nos países periféricos) alguns dos ricos da França saem para fora do país. Contrariando a necessidade de empregos e com eles de investimentos, Jean-Émile Rosenblum, fundador da Pixmania, um retalhista on-line, dedica-se à criação da sua vida: um novo empreendimento nos Estados Unidos onde ele vê um clima muito mais hospitaleiro para os empresários. "O aumento do conflito de classes é uma consequência normal de qualquer crise económica, mas a exploração política de que tem sido alvo na Europa é demagógica e discriminatória", diz Rosenblum. "Em vez de depender de (empresários) para criar empresas e empregos de que nós precisamos, a França está a persegui-los"

A luta entre ricos e pobres é talvez mais volátil na China. Ironicamente, Obama e o recém-chegado presidente da China comunista, Xi Jinping, enfrentam o mesmo desafio. O intensificar a luta de classes não é apenas um fenómeno de crescimento lento no mundo industrializado endividado. Mesmo em rápida expansão dos mercados emergentes, a tensão entre ricos e pobres, converteu-se na principal preocupação para os decisores políticos. Ao contrário do que muitos descontentes americanos e europeus acreditam, a China não tem sido um paraíso para os trabalhadores industriais intensivos saídos do atraso secular dos campos. A "tigela de arroz de ferro" - a prática da era de Mao de garantir empregos para a vida dos trabalhadores - desapareceu com o maoísmo, e desde o inicio do período das reformas, os trabalhadores tinham poucos direitos, uma vez que o Estado e Serviços Sociais se consideram propriedade de todos. Mesmo que a renda do trabalho nas cidades da China esteja crescendo substancialmente, o fosso entre ricos e pobres é muito grande. Outro estudo do Pew Institute revelou que quase a metade dos chineses entrevistados consideram os ricos e pobres um problema muito grande, enquanto que 8 em cada 10 concordaram com a proposição de que os "ricos apenas ficam mais ricos, enquanto os pobres ficam mais pobres" na China.

O ressentimento está a chegar a um ponto de ebulição nas cidades industriais da China. "As pessoas vêm de fora aspirando ter vidas de maior abundância, mas a vida real nas fábricas e na construção é muito diferente", diz o operário Peng Ming no enclave industrial de Shenzhen. Enfrentando longas horas de trabalho, aumento dos custos, gerências indiferentes e muitas vezes atraso nos pagamentos. Os antigos trabalhadores agrícolas começam a adquirir hábitos e reivindicações de um verdadeiro proletariado. "A forma como o rico obtém o dinheiro é através da exploração dos trabalhadores", diz Guan Guohau, outro empregado da fábrica de Shenzhen. "O comunismo é o que nós precisamos para andar para a frente." A menos que o governo tome maiores acções para melhorar seu bem-estar, dizem eles, os trabalhadores vão se tornar mais e mais dispostos a tomar medidas próprias. "Os trabalhadores vão organizar-se (…) todos os trabalhadores devem estar unidos". Pode já estar a acontecer. O acompanhamento do nível de agitação laboral na China é difícil, mas os especialistas acreditam que tem vindo a aumentar. Uma nova geração de operários - mais bem informados do que os seus pais, graças à Internet - tornou-se mais franco nas suas exigências por melhores salários e condições de trabalho equiparaveis aos paises desenvolvidos. Até agora, a resposta do governo tem sido mista. Os decisores políticos têm aumentado os salários mínimos para aumentar o rendimento, endurecer as leis laborais para dar aos trabalhadores mais protecção. Mas o governo ainda desestimula o activismo trabalhador independente, muitas vezes pela força. O governo pensa mais sobre as empresas do que nós" conclui Guan Guohau.


Na antiga Europa industrializada, Marx teria previsto apenas um resultado. Como o proletariado acordou para os seus interesses de classe comuns, eles iriam inevitavelmente derrubar um sistema capitalista injusto e corrupto e substituí-lo pelo novo sistema socialista. Os comunistas "declaram abertamente que seus objectivos só podem ser alcançados pelo derrube violento de toda a ordem social existente", escreveu Marx. "Os proletários nada têm a perder a não ser suas correntes esclavagistas". Há sinais de que os trabalhadores dde todo o mundo estão cada vez mais impacientes com as suas fracas perspectivas. Centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de cidades como Madrid e Atenas, em protesto contra um desemprego estratosférico e as medidas de austeridade que estão a tornar as coisas ainda piores. Até agora, porém, na Europa a revolução de Marx ainda não se materializou. Os trabalhadores podem ter problemas comuns, mas eles não se estão unindo para resolvê-los.

A adesão à união nos EUA, por exemplo, continuou a diminuir durante a crise económica, enquanto que o movimento Occupy Wall Street fracassou. Os manifestantes, diz Jacques Rancière, um especialista em marxismo na Universidade de Paris, não têm como objetivo substituir o capitalismo, como Marx havia previsto, mas apenas para reformá-lo. "Não estamos dando aulas em protestos que pedem o derrube ou a destruição de sistemas socio económicos para colocar outro diferente no seu lugar", explica. "O conflito de classes que se está produzindo hoje são chamadas para consertar os sistemas para que se torne mais viável e sustentável para o longo prazo, redistribuindo a riqueza criada." Apesar de tais chamadas, no entanto, a actual política económica das indústrias livremente deslocalizadas continua a alimentar as tensões de classe. Na China e nos Estados Unidos , o alto funcionalismo decide pagar artificialmente o sector de serviços para reduzir o fosso dos rendimentos, mas, na prática, esquivam-se às reformas urgentes (combate à corrupção, fim do monopólio do sector financeiro privado) que poderia fazer inverter o curso dos acontecimentos. Os governos subservientes da Europa que se estão a deixar sobrecarregar de dívidas por meio da especulação, reduziram os programas de bem-estar, mesmo quando o desemprego aumentou e o crescimento caiu. Na maioria dos casos, a solução escolhida para a reparação do capitalismo tem sido mais capitalismo. Os bonzos formuladores de políticas em Roma, Madrid, Lisboa e Atenas cumprem um programa de desmantelamento das leis de protecção dos trabalhadores, pressionados pelos detentores do poder de decisão internacional a desregulamentar ainda mais os mercados domésticos para que estes se possam converter em coutadas exclusivas das multinacionais de accionistas que se escondem por detrás desses mesmos decisores.


Owen Jones, o autor britânico de “Chavs: a Demonização da Classe Trabalhadora”, chama a isso "uma guerra de classes ordenada a partir de cima". Muito poucos irão permanecer no meio, no lugar da antiga classe média, muitos irão ficar pelo caminho. O surgimento de um mercado de trabalho global livre a desregulado, sindicatos em todo o mundo desenvolvido desarmados por subsídios estatais, a esquerda política arrastada para a direita desde o ataque do livre mercado de Margharet Thatcher e Ronald Reagan, não criaram um percurso alternativo credível. "Praticamente todos os partidos progressistas ou de esquerda contribuíram em algum momento para a ascensão e chegada dos mercados financeiros, correndo atrás dos prejuízos no sistema de protecção social para ingloriamente tentar provar que são capazes de reformas. Observa Rancière; "eu diria que as perspectivas de trabalho dos partidos socialistas ou os governos dessa área em qualquer lugar do espectro politico não podem reconfigurar significativamente - muito menos virar – os sistemas económicos actuais por serem muito fracos". Isto deixa em aberto uma possibilidade assustadora: a de que Marx não só diagnosticou falhas do capitalismo, mas também previu o resultado dessas falhas. Se os políticos não descobrem novos métodos de garantir oportunidades económicas, os trabalhadores de todo o mundo podem muito bem unir-se. Marx pode então ainda ter a sua vingança
.

Sábado, Maio 11, 2013

9 de Maio, as celebrações do Dia da Vitória da União Soviética na 2ª Grande Guerra

Nenhum evento político pode ser julgado fora do tempo e das circunstâncias em que ocorreu. Ninguém sabe nem apenas um por cento do fabuloso percurso do homem, mas graças à História, sabemos hoje coisas sobre acontecimentos que ultrapassam os limites da imaginação.

O privilégio de se continuar a coligir novos relatos fidedignos de pessoas conhecidas, incluindo com conhecimento dos locais onde aconteceram alguns eventos sobre a histórica batalha pela conquista de Berlim, aumentou o interesse que se esperava das comemorações deste ano. A colossal e heroica façanha foi o resultado de um conjunto de povos que a Revolução e o Socialismo tinham unido para acabar com a brutal exploração que o mundo tinha sofrido ao longo de milénios. Os russos foram sempre um povo orgulhoso por terem liderado essa revolução pela liberdade, graças aos sacrifícios que foram capazes de suportar.

Este aniversário do Dia da Vitória não poderia ser compreendido sob o signo de uma bandeira e um nome diferente, que presidiu ao heroísmo dos combatentes da Grande Guerra Patriótica pela soberania da República dos Sovietes. Há definitivamente aqui algo intocável e inesquecível: o hino sob cujos gloriosos acordes marcharam emocionadamente um milhão de homens e mulheres que enfrentaram a morte e esmagaram os invasores que procuravam impor mil anos de nazismo e de holocausto para toda a humanidade. Com estas ideias em mente, os russos de hoje apreciam que as horas que são dedicadas à marcial organização do desfile militar evocativo, sejam agora dispendidas por homens formados em universidades militares russas, algo que nos eventos reais naquela época foi feito pelo povo, simples operários e camponeses em armas. Povo em armas cuja única preparação era a vontade de vencer, que no dia da celebração da Revolução de Outubro no final do desfile desse ano de 1945 marchou directamente para a frente de batalha.

soldados e estandartes russos numa recriação da época

Os Yankees e os sanguinários exércitos da NATO certamente não podem imaginar que os crimes cometidos no Afeganistão, Iraque e Líbia, os ataques contra o Paquistão e a Síria, as ameaças contra o Irão e outros países do Médio Oriente, as bases militares na América Latina (entre ela a novíssima Palanquero na Colômbia), na África e na Ásia, possam ser realizados com impunidade, sem que o mundo tome consciente da ameaça estranha e fora do comum nesta nossa época - Como se esquecem tão depressa os impérios das lições da História! - a técnica militar exibida em Moscovo e por todas as cidades da Rússia a cada celebração a 9 de Maio, mostram uma impressionante capacidade para fornecer respostas adequadas e flexíveis aos meios do imperialismo ocidental convencional e às ameaças nucleares mais sofisticadas. Adequado às circunstâncias e expectativas da epopeia de outrora, era este o espirito que se esperava nas vésperas da vitória soviética sobre o nazi-fascismo



(texto adaptado do discurso de Fidel Castro em 2012)

Rússia confirma que entrega de mísseis à Síria, governada segundo um modelo pró-socialista, está em fase de conclusão 
.

Sexta-feira, Maio 10, 2013

Recomeçar (Miguel Torga)


Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

 E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

Quinta-feira, Maio 09, 2013

"Capitalismo sem regras mata operários no Bangladesh"

Quem os ouvir ou ler até pensará que o Capitalismo pode pagar salários com moral e ética. Decerto pretenderiam dizer: “esmagados pelo Capitalismo

Alguns norte-americanos e europeus sentem, equivocadamente, que "vivem num universo diferente do Bangladesh”. Mas a diferença é apenas uma questão de grau. Os grandes retalhistas que operam no Ocidente são fornecidos pelos trabalhadores do Bangladesh, onde de forma rotineira se pratica o roubo dos salários, a redução das horas trabalhadas consoante a necessidade de consumo dos importadores e se impede que os operários locais ganhem um salário mínimo consignado por lei" – ou seja, muitas das lutas actuais são comuns ao primeiro e terceiro mundo.

"o Capitalismo financeiro global é o vilão neste trágico conto"

Quando falamos de pessoas que são esmagadas pelo capitalismo, geralmente fazêmo-lo em termos metafóricos. Derrotas políticas e opressões de vários tipos podem ser descritas como tal, mas a referência literal raramente se refere a factos concretos. Num complexo de pequenas fábricas artesanais em Savar, Bangladesh até 1 000 trabalhadores de vestuário foram esmagados até à morte, quando o edifício onde trabalhavam colapsou por causa das estruturas deficientes para acolher o excesso de ocupantes. As buscas por sobreviventes continuam mais de uma semana depois da derrocada. Foi o segundo desastre mortal em larga escala envolvendo trabalhadores têxteis de Bangladesh desde Novembro passado, quando 112 pessoas morreram num incêndio numa fábrica de roupas.

As grandes cadeias de retalhistas norte americanas e e europeias têm vindo a depender cada vez mais das oficinas clandestinas localizadas no Haiti, Bangladesh, Filipinas e até mesmo nas zonas rurais da China, face ao esmagamento dos preços e fim de maximizar os seus lucros. Quando os norte americanos da Walmart, H&M, Gap, Sears, os espanhóis da Zara e H&M ou os portugueses da Sonae e Pingo Doce oferecem pechinchas de vestuário, alimentos exóticos e outras mercadorias, estas ofertas surgem com artigos fabricados por pessoas que arriscam as suas vidas em troca de um rendimento miserável. Ou por ter a oportunidade de garantir mais e melhores empregos. O trabalho a tempo parcial tornou-se norma, tornando a vida dos trabalhadores semi-escravizados a mais e mais dificuldades em proveito dos lucros dos cada vez mais ricos. É muito fácil culpar as Walmarts, as Zaras, Ikeias e Sonaes deste mundo, quando acontecem mortes, mas o objectivo das ofertas de preços excepcionais é sintoma de uma doença maior. O capitalismo financeiro mundial é o vilão nesta história e vai continuar a esmagar milhões ao redor do mundo naquilo que parece ser a fase final da sua dissolução.

A fase final da existência do capitalismo?

Este sistema financeiro não tem nada para oferecer a não ser uma sucessão de bolhas, primeiro na Internet, depois no mercado de acções, nos paises emregentes, no imobiliário e finalmente no endividamento das nações. O resultado final destas pseudo teses económicas que não passam de reles maquinações é sempre o sofrimento das massas de trabalhadores, já que estas se estão tornando cada vez mais dispensáveis no mundo capitalista. Seria um erro considerar a experiência do Bangladesh como sendo assim tão diferente do que se passa no nosso mundo do trabalho. Os trabalhadores da Walmart ou da Sonae podem não ter o destino de ser esmagados pelo colapso de edifícios. Mas são espremidos por dentro a um ritmo acelerado, incapazes de ganhar o suficiente para viver, se qualificar, aceder a benefícios de saúde dignos para que haja melhores ofertas aos consumidores viciados pelo marketing e publicidade danosa. Uns e outros, por alguma razão são chamados do exército social de reserva, uns expirados na espiral recessiva e outros não utilizados em produções inexistentes. Até mesmo os reformados que trabalharam uma vida interira em melhores condições não estão actualmente seguros de não voltarem a ser explorados, neste caso pelos governos. A segurança que estas pessoas no final de carreira deveriam ter está rapidamente a diminuir.

O método na divisão internacional do trabalho utilizado no Bangladesh, (ou no México ou em Portugal) é o sistema de subcontratação, para tentar separar o grande comércio “assente em trabalho consciente” dos fornecedores de trabalho sujo das fábricas baratas mas perigosas. Um tribunal federal norte americano interpôs uma acção cível alegando que os roubos no não cumprimento da legislação nas grandes cadeias distribuidoras era feito por empresas subcontratadas. Quando vimos noticias como esta da derrocada no Bangladesh, deveríamos revermo-nos nelas também. O sequestro Orçamental (criado pela matrix Obama, seguido por uma multidão de serventuários genéricos como o nosso Passos e Gaspar) não poupa sequer cortes em doentes cancerosos, subsídios de desemprego e rendimentos minimos de subsistência. Estamos à mercê de empresas gananciosas e de dois partidos políticos, todos eles com planos para roubar o dinheiro dos contribuintes e mantê-los pobres e condicionados. A ilusão da diferença entre estes diversos agentes dos mercados é como um jogo, onde cada um age como se tivesse lutando contra os outros, mas apenas pelo melhor quinhão do saque. Em última análise, nesta guerra de classe, todas as vítimas perdem o dinheiro e rendimentos que tinham de forma descarada.

A população do Bangladesh reagiu às mortes com muita raiva. Manifestações e greves têm sido convocadas nos dias a seguir ao colapso do edifício. A indignação é o primeiro passo para a justiça aos trabalhadores do Bangladesh, e deveria ser igualmente um primeiro passo para as pessoas, trabalhadores ou consumidores de todo o mundo. Convencer as nossas populações empurradas para a pobreza de que deveriam estar todas a protestar nas ruas. O sistema em que vivemos está corrompido e não pode continuar a agir contra os interesses da grande maioria. Produtores ou consumidores todos estão a ser tratados como serventes de lojas, suando por uma economia insustentável que urge fazer implodir. Infelizmente, pese o desespero, imbecilizados pelos media, há pouca compreensão de nossa verdadeira situação. Os trabalhadores do Bangladesh suportam o peso total do terror inerente ao sistema. O nosso fim como espectadores no mundo dos ricos será um pouco mais lento e menos violento, mas os objectivos a atingir nos dois casos são coincidentes.
(Adaptado do original de Margaret Kimberley, in The Black Agenda Report) 
.

Quarta-feira, Maio 08, 2013

o "regresso" do comité de negócios da Tróica

"este Gaspar e companhia, os bons alunos da Tróica, não sabem que o povo português já chegou ao limite e se existissem dirigentes políticos e sindicais à altura este governo já tinha sido atirado pela janela fora" (Garcia Pereira)

"Foi espectacular a nossa emissão de dívida! (Ricardo Salgado, BES)
O "combate" ao desemprego deste governo é colocar no desemprego milhares e milhares de trabalhadores da função pública, trabalhadores esses que não terão nenhum apoio social e não terão direito ao subsídio de desemprego. Estas medidas e outras como os cortes que são anunciados são inconstitucionais, e mais uma vez este governo só sabe governar contra a Constituição, mostrando assim a faceta de um governo terrorista".

Garcia Pereira, ao referir a taxa de “sustentabilidade” a aplicar sobre reformados e pensionistas destacou que a premissa e lema do governo é que "os velhos estão cá a mais", propondo-se "cumprir um programa de darwinismo social típico dos regimes fascistas e nazis".

Terça-feira, Maio 07, 2013

mais uma vitória dos vendidos comissionistas da dívida. Um "grande sucesso" dizem eles...

clique no cartoon para ampliar

Portugal colocou uma emissão de 3.000 milhões de euros de dívida nos mercados a 10 anos com taxa de juro a 5,669%.
São cerca de 170 milhões de juros a pagar por ano até 2024. O BCE, que recentemente baixou os juros para 0,5% diz que "emissão é mais um passo importante no regresso aos mercados". Com certeza que é um êxito (para os accionistas privados das empresas que operam nos mercados). O BCE e congéneres emprestam o dinheiro aos bancos a 0,5% e estes emprestam-no ao Estado a 5,669%. Isto é, obtêm um lucro liquido superior a 5%, acrescidos de mais juros sobre juros. Em que bordel financeiro é que os especuladores que sugam o valor do Trabalho conseguem obter uma acumulação de capital a niveis tão altos de retribuição?  - Durão Barroso sugere que "a culpa da crise foi dos mercados", mas dá a entender que mandou rezar uma missa e os ditos mercados pecadores se arrependeram amargamente... e estão agora ao serviço do povo
.

Segunda-feira, Maio 06, 2013

Afinal Portas aceitou cortes de 740 milhões por ano para reformados do Estado

Portas vetou a TSU dos reformados, mas escondeu que o Estado vai cortar 18,6% nas pensões até 2015. 
Os reformados da função pública vão perder em média 9,3% do seu rendimento em 2014, 740 milhões de euros, e outros 9,3% em 2015, também no valor de 740 milhões de euros. Esta percentagem, muito próxima dos 20% defendidos pelo FMI em Janeiro, consta do mapa de cortes enviados juntamente com a carta do primeiro-ministro à troika na última sexta-feira. Depois, o primeiro bandalho, com aprovação tácita concertada em segredo com o segundo bandalho da coligação, veio produzir demagogia barata nas televisões. Aldrabões,  

Milhares de portugueses intoxicados com farófias feitas pelo Governo: CDS diz que só bateu as claras  
.

Domingo, Maio 05, 2013

... para Portugal permanecer no Euro?

apesar da espiral de recessão em que o país se encontra...

clique na imagem para ampliar
"Passos Coelho defendió que sus medidas de austeridad, para ahorrar 4800 millones de euros en tres años con reducción de pensiones y de 30.000 funcionarios, jornada laboral más larga en la administración y un año más en la edad de jubilación, hasta los 66, son necesarias para que Portugal pueda permanecer en la Zona Euro" (Forte contestação a novas medidas de austeridade em Portugal, segundo o el-Mundo)

Uma crítica de direita à extrema direita instalada no poder: "Este modelo europeu foi feito para acabar com o Estado Social europeu (...) o Presidente da Comissão Europeia é, na parte económica um desastre (...) é impossivel aguentar este desemprego, esta emigração. Não aguentamos até 2018 (...) e não há saídas fáceis" (João Ferreira do Amaral, ao Expresso)

"A crise de liderança europeia e a degradação da economia tornam mais provável a desagregação do euro, e é preciso prepararmo-nos para isso" (Francisco Louçã)

Primeiro promoveram este designio, agora queixam-se dele: "Um país num estado de penúria como o nosso não pode ter uma moeda forte. Isso ensina-se na primeira aula de economia. Não é sustentável" (Bagão Félix)... "é a derrota definitiva de toda uma geração" (Daniel Bessa)

"O que fazer quanto à dívida e ao euro?" (Manifesto lançado por economistas da Esquerda Europeia). "Saída do Euro não é uma garantia de ruptura com o euroliberalismo"
.

Sábado, Maio 04, 2013

um governo do Goldman Sachs

o Expresso diz que o presidente do Instituto que gere a Dívida (IGCP) João Moreira Rato ilibou a actual secretária de Estado Maria Luis Albuquerque de intervenção danosa no caso dos swaps;
o que o Expresso não diz é que João Moreira Rato é uma personagem comprometida com o Goldman Sachs nem que nessa qualidade o chefe do IGCP contratou por meio milhão de euros duas outras personagens ligadas ao Citigroup para "averiguar" das irregularidades nos swaps.

Mais uma prova que estamos em presença de um governo de traidores que desgovernam Portugal segundo os interesses de instituições estrangeiras.



"Suponha que os gestores de uma empresa pública iam a um casino e apostavam na roleta umas centenas de milhões de euros do dinheiro da empresa, perdendo-os. Qual seria a reacção social?" (Vitor Bento, Julho de 2012)

Sexta-feira, Maio 03, 2013

o caso dos empréstimos seguros com "swaps"

"No âmbito da sua participação no programa "Em Foco" do canal de televisão por cabo ETV, no qual participa todas as 3ªs feiras o advogado António Garcia Pereira, ao denunciar o caso das "SWAPS" e o DEO (documento de estratégia orçamental), anunciou que, "na sequência de uma denúncia muito viva feita por trabalhadores do Metropolitano de Lisboa", havia decidido apresentar uma queixa-crime contra os gestores dessas empresas, bem como contra as instituições financeiras envolvidas neste que classificou como sendo "um caso de polícia!. Faz todo o sentido, uma vez que os Bancos que contrataram "swaps" em Portugal já foram condenados em Itália

Garcia Pereira desmonta os chamados "swaps", uma espécie seguro de de casino financeiro em que o PS e PSD se especializaram, fazendo com que o sistema financeiro tenha ganhos brutais e em contrapartida as perdas para o Estado nunca sejam 20% inferiores ao valor do contrato.



 Muito convenientemente os que assinaram a fraude são os primeiros a gritar "agarrem-nos senão a gente mata-os". É preciso ser disléxico para tentar enganar os crédulos. A presidente do Conselho das Finanças Públicas, face às explicações dos governantes (que meteu parlamento e tudo) veio de imediato afirmar que este tipo de contratos de empréstimos protegidos por "swaps" a nivel internacional são muito difíceis de anular. E os tribunais a que o Governo promete recorrer (e apenas em relação a dois bancos) são os de Direito Internacional. Fogo de vista! - uma vez que os tribunais competentes para julgar estes casos são, antes do mais, os Tribunais Nacionais que se pronunciam sobre a legislação portuguesa que contém disposições que proibem este tipo de contratos 

* Paulo Gray, actual conselheiro do ministro Vitor Gaspar foi quem comprou dívidas fiscais indexadas a swaps para o Citigroup  em 2003
.

Quinta-feira, Maio 02, 2013

Carris: pague dois e leve um

A população de Lisboa em geral tem bem presente os cortes efectuados no sector dos transportes públicos, particularmente no que diz respeito à supressão de carreiras, aumento desmesurado de 24% do preço dos bilhetes e passes ex-sociais e na sobrelotação de passageiros nas horas de ponta e aos fins de semana, um quadro degradado no cosmopolitismo de uma cidade que hoje em dia mais parece ser não europeia. Tais medidas levaram a perdas de 12 a 15% no número de passageiros.

Com estes cortes, aumentos e medidas de austeridade a Carris poupou 15 milhões de euros em 2012. No mesmo período em contratos de empréstimos "protegidos por swaps" a Carris pagou 18 milhões de euros. Este ano estima-se que irá pagar 21 milhões.

A empresa contraiu em 2005 um empréstimo de 215 milhões de euros, pelo qual paga actualmente uma renda trimestral a bancos estrangeiros com juros a 5%, sendo o buraco actual de 116 milhões de euros. Com este governo, entre 2011 e 2013 a dívida a curto prazo da Carris saltou de 32,2% para 122,9%. Enquanto se verifica esta gestão danosa por parte das administações nomeadas por PS e PSD, os trabalhadores da Carris, atingidos pela precariedade, recolhem alimentos para os colegas em maiores dificuldades por causa dos cortes nos salários.

A autarquia de Lisboa (CML) reclamou o direito de ter uma palavra a dizer sobre a política de transportes na cidade. E como pensa António Costa intervir junto do governo? afirmando que as receitas das empresas municipais ligadas à mobilidade devem ser canalizadas para os transportes públicos, ou seja, Costa propõe-se pagar o sector dos Transportes com as receitas da EMEL e do IMI - dito de outro modo, pela caça à multa ao cidadão automobilista, e pelo aumento desproporcionado do Imposto Municipal sobre os Imóveis decretado por este governo de Passos Coelho (NRAU 31/2012) sobre a anterior Lei dos Despejos para Inquilinos e dos Benefícios Fiscais para as Sociedades Financeiras Imobiliárias, decretadas pelo governo anterior de Sócrates com o pretexto da criação das Áreas de Reabilitação Urbana (ARU), mandada suspender no inicio desta legislatura deste actual governo com assessoria técnica do gabinete de advogados José Pedro Aguiar-Branco e agora de novo retomada.

* A Carris é apenas a sétima no ranking das empresas públicas mais atingidas pela fraude dos swaps (67 731 euros). Com mais prejuizos, temos antes a CH-Lisboa Norte (68 756), os STCP (72 120), a Refer (de onde é originária a actual secretária de Estado que recusa demitir-se, com 92 114 milhões de euros), a CP (223 940), o Metro do Porto 491 357) e o Metro de Lisboa (588 846 milhões de euros).

Quarta-feira, Maio 01, 2013


É engraçado que ninguém se lembre hoje de trazer à tona este outro famoso quadro do que se passou em Boston
Sacco e Vanzetti
A diferença entre os anos de 1920 e a nossa época é que as pessoas nos EUA de então tinham - e expressavam - opiniões políticas reais. A diferença? Há muito que não temos militantes e activistas radicais, então os serviços de informações têm de os fabricar. Agora, a população tornou-se tão passiva, branda e dócil, que o FBI tem de promover "eventos terroristas" e depois inventar uma motivação para eles. Nos anos 20, o FBI simplesmente empolava uma certa variedade de crimes que determinadas pessoas cometiam, pensando der o suficiente para demonstrar à grande maioria das pessoas que certas ideias eram "más".

Num modo muito breve, olhemos para os detalhes, em qualquer lado. Há um assalto à mão armada. As autoridades promovem de imediato uma campanha acusatória contra os extremistas nascidos em território estrangeiro, ou seja contra pessoas que tenham opiniões políticas diferentes das nossas (habitualmente muçulmanos). As vítimas são, por exemplo, dois comerciantes, que passam automaticamente a ter opiniões antagónicas às dos assaltantes. Naqueles tempos as pessoas enquadravam automaticamente os crimes dentro desta tipologia. Agora, com os atentados de Boston passam a haver imediatamente “culpados” e por uma razão muito simples: a “informação” das televisões. É improvável que o irmão do “criminoso” abatido seja susceptível de obter a mínima réstia de simpatia ou apoio do público, por muito que este possa gritar a sua inocência. Nos tempos antigos dos idos da década de 1920, as pessoas estavam mais em contacto com a realidade. Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, dois emigrantes estrangeiros foram igualmente acusados de actos terroristas no Estado de Massachusetts e condenados à morte. Mas então a injustiça gerou uma enorme onda de revolta e solidariedade entre a população local e internacional em geral. Naqueles tempos havia apenas 500 policias para conter a mobilização de uma multidão de 10 mil pessoas. Hoje existem 10 mil policias para encontrar um adolescente para o qual nem é preciso invocar o estatuto de trabalhador. Chama-se a isto inflação securitária (1).

Como retaliação pela prisão dos dois activistas anticapitalistas, no dia 16 de Setembro de 1920, uma bomba explodiu em Wall Street matando 38 pessoas e ferindo 143. No dia 15 de Agosto de 1927, com as execuções de Sacco e Vanzetti marcadas para a meia noite, tendo como pano de fundo uma multidão de 20 mil pessoas nas ruas de Boston, uma bomba explodiu junto à casa de um dos juízes

(1) o Departamento de Estado da Segurança dos EUA já armazenou este ano mais munições para armamento das policias destinadas a uso doméstico, que o exército em todos os anos na guerra contra o Iraque 
(2) Tia do "bombista" de Boston é casada com personalidade da indústria de energia relacionada com a seita Skull&Bones
.

Terça-feira, Abril 30, 2013

Dizem que Isaltino Morais é um case-study na Justiça mundial

Chegado de Trás-os-Montes ao PSD com uma mão atrás e outra à frente, eleito pela primeira vez para a Câmara Municipal de Oeiras em 1985, re-eleito por sete vezes desde então, o autarca amealhou um pecúlio numa conta na Suiça (1) de pelo menos 1,3 milhões de euros (segundo o que as autoridades descobriram em 2003, faltando-lhes descobrir as outras duas contas conforme o jornal "Independente" denunciou). Foi ministro do actual presidente da Comissão Europeia Durão Barroso. Em 2005 é constituido arguido. Em 2006 a acusação é anulada, só voltando a ser repetida em 2007. Dez anos de processo e 46 recursos depois o nosso Isaltino foi preso mas não aceita que o folhetim judicial seja dado por terminado.

"Se começam a prender os políticos corruptos (2), o que vai ser deste país ? Ficamos sem Presidente, sem Governo, sem Assembleia da República, sem Presidentes da Câmara ... o que vai ser de nós?" (lido no facebook)

Isaltino Morais foi condenado em 2009 a sete anos de prisão e à perda de mandato autárquico por fraude fiscal, abuso de poder e corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais. Quando agora, 4 anos depois, entra na cadeia, a pena transitada em julgado já só está fixada em dois anos de prisão, em Maio de 2012 a acusação pelo crime de corrupção prescreveu e a sentença de perda de mandato foi cancelada. O que possibilita que um cargo público como o de dirigente da Câmara Municipal de Oeiras (3) possa vir a ser exercido a partir da prisão por um cadastrado.

(1) Suiça. Liberdade para entrada de Capital, vedada entrada de Emigrantes europeus. Um novo enxovalho para Durão Barroso. 
(2) Presos VIP prestam serviço público, embora involuntariamente. Urge aumentar-lhes a quota. Bastou o "tio" Isaltino ter sido detido para que a Greve dos Guardas Prisionais e as condições degradadas nas Cadeias comecem a ter alguma ressonância nos Media 
(3) Isaltino está fora da Maçonaria? e está fora da CMOeiras?
.

Segunda-feira, Abril 29, 2013

Vão trabalhar malandros!

O conselheiro de Estado do regime Vitor Bento escreveu um livro intitulado “Euro Forte, Euro Fraco”. Lida e relida  a coisa, o conselheiro da opinião pública para os intelectuais do regime, Pulido Valente, achou por bem, face às razões apresentadas para o descalabro das economias dos países do Sul de Europa (o Euro fraco) e da pujança das economias do norte da Europa (o Euro forte) , de acusar o outro de “vasta ignorância histórica do passado”. As causas do atraso económico português, diz este, deve-se ao facto “do país não possuir reservas de carvão e ferro o que teria possibilitado uma industrialização a sério (1) e de Portugal estar longe das grandes rotas comerciais da Europa (…) e estas rotas não mudaram” desde os primórdios do capitalismo mercantil, ou seja, desde o século XV, considerado como o século de ouro português com os Descobrimentos. Nessa época a Lisboa do estabelecimento da via marítima com a Carreira das Índias, tornou-se efectivamente o centro do comércio da Europa, destronando Veneza e Génova como terminais das vias tradicionais de importação pelas caravanas terrestres de produtos do Oriente.

Replica o outro que não, que as fontes do nosso atraso seriam a “falta de valorização da cultura, a intolerância religiosa, instabilidade politica e uma persistência crónica do analfabetismo”. Um, que o “ler, escrever e contar” não servia rigorosamente para nada num mundo essencialmente rural, e por outro lado instruir os pobres teria fatalmente como resultado a Revolução, como a francesa de 1789, outro manda ler o “Why Nations Fail” e a “The Wealth and Poverty of Nations” (2) – advertindo que “de qualquer modo o meu livro apenas invoca comportamentos inconsistentes para um único sistema monetário”, sendo recomendáveis dois únicos sistemas monetários: um Euro para ricos, outro para Pobres. Despacha-o o outro: “lamento se o ofendi e confesso a minha vasta ignorância financeira”

No conflito entre estas duas partes da mesma coisa conclui-se rapidamente que “isto” (o conflito entre duas abstrações) nem estatuto para debate alcança.
Industria naval em Amsterdam, finais sec. XV
Portugal não tem ferro mas tinha madeira e tem uma das maiores reservas de cobre da Europa. Foi aliás essa a principal razão que trouxe os Romanos ao sul da península ibérica, de onde a sua importância deu a Roma dois imperadores, Adriano e Trajano (e a situação não se alterou se atendermos ao cobre das minas de Neves-Corvo, Aljustrel e S.Domingos, todas aliás exploradas por multinacionais estrangeiras). O cobre troca-se por ferro e carvão, ou o que seja, como sabemos desde a teoria desenvolvida pelo economista David Ricardo. A importância que a Lisboa quinhentista adquiriu foi rapidamente perdida a favor da carreira comercial para Antuérpia operada por companhias estrangeiras. Todos os produtos chegados a Lisboa eram de imediato re-exportados para o norte da Europa, pela simples razão que eram os comerciantes e banqueiros alemães e outros (p/e a casa dos Fuggers) que financiavam à cabeça as expedições dos descobrimentos, desde o ouro da Guiné até às especiarias da Índia. Meros comissionistas, por via dos “empresários” portugueses quase nada lucrou o país pela chamada “epopeia das descobertas” (3). A não ser os hábitos parasitários. Na transição para o século XVI as frotas marítimas de Holandeses e Ingleses já suplantavam em número entre três a quatro vezes as já obsoletas naus ibéricas.

A diferença entre o volume de trabalho no norte assente na ética capitalista protestante é abissal em relação à indolente crendice católica retrógada das elites a sul (4). Supremacia tecnológica instalada, a maior parte do mundo descoberta pelos latinos, a Holanda não tinha nem ferro nem carvão e em Inglaterra este último minério só viria a ganhar importância dois séculos depois. A desvantagem económica foi corrigida pela pirataria. Não tendo descoberto nada, roubar os espanhóis e os portugueses tornou-se uma questão estratégica (4). Francis Drake, o mais famoso dos piratas seria erigido em Cavaleiro da Rainha Elizabeth I em 1581. Atacado por holandeses e ingleses Portugal ia perdendo possessões ultramarinas, a Bahia, Pernambuco e o Maranhão no Brasil, Ormuz e Macao no Oriente, a feitoria da Mina na Guiné, Luanda que garantia o fornecimento de escravos. Um ano depois da derrota da Invencivel Armada a expedição Drake-Norris aportou a Lisboa, atacando depois os Açores onde Hawkins estabeleceu uma primeira base paramilitar que lhes viria a assegurar o monopólio das rotas comerciais para o Novo Mundo e algumas décadas depois a nossa “independência”. O declínio dos portugueses consumou-se aqui; na expressão de Adam Smith: “o trabalho dos homens livres acaba sempre por sair mais barato do que o dos escravos”.

Trabalho é a palavra chave que não é grafada uma única vez por Vitor Bento ou Pulido Valente. Diferentes regimes de encarar o Capital podem produzir diferentes soluções para os mesmos problemas (5), mas Bento e Valente representam apenas a mesma cara filha uma da outra, de duas correntes: o Conservadorismo que se apoia na ideia de monarquia sinárquica e o Liberalismo cujo êxito depende da exploração imperialista das trocas desiguais, subjugando outros povos, desde Hobson com o colonialismo até à sua liquidação com o Lenine do internacionalismo proletário. Esta última é a verdadeira alternativa às outras duas forças em confronto na organização económica e social - o Marxismo, a filosofia assente no Trabalho no qual em última instância radica a única criação de Valor em economia.
notas:
(1) Não é certo, desde Spengler, passando por Ilitch e Habermas até Boaventura Sousa Santos, que a industrialização só por si seja um factor de desenvolvimento social. Uma vez que as máquinas (capital fixo) nada determinam, mas sim a questão da sua propriedade por esta ou por aquela classe social
(2) “A Riqueza e a Pobreza das Nações”, David S. Landes, Ed. Gradiva, 2001
(3) “Relações Internacionais”, (as três teorias em confronto) de James E. Dougherty e Robert L. Pfaltzgraff Jr. Ed. Gradiva, 2003
(4) "Império", de Niall Ferguson,
(5) Ironicamente, as nações que tinham começado tudo, Espanha e Portugal, acabaram perdedoras. Aí reside um dos grandes temas da história da teoria económica. Todos os modelos de crescimento, no fim de contas, sublinharam a necessidade e o poder do capital – o capital como substituto do trabalho, possibilitador de crédito, bálsamo de projectos frustrados, redentor de erros: “Se a Espanha (que abastecia de ouro e prata toda a Europa com os famosos reales a ocho) não tem dinheiro, nem ouro nem prata, é porque tem essas coisas, e se é pobre, é porque é rica. (…) Podia pensar-se que alguém quis fazer desta república uma república de gente enfeitiçada, vivendo fora da ordem natural. – Martin Gonzalez de Cellorigo, 1600” (citado em “O Declinio das Potências Peninsulares”, de David S. Landes)
(6) Não havia comparação possivel entre a nossa Ribeira das Naus e os estaleiros de construção naval de Amsterdão (na gravura) e Greenwich, em volume de negócios, trabalho empregue e capital investido.
.

Domingo, Abril 28, 2013

39 anos volvidos...

na madrugada do golpe militar de 25 de Abril de 1974, seguido de um forte levantamento popular, o Comité Lenine do MRPP distribuiu à classe operária e aos trabalhadores portugueses um comunicado que urge reler e reflectir sobre o que nele já se denunciava... para, hoje, podermos criar as condições de unidade na acção e na base dos princípios que previnam os erros e desvios que foram cometidos no passado

2013. "Garcia Pereira denuncia as medidas demagógicas ditas de "crescimento" do Governo. Tudo conversa fiada. Garcia Pereira considera ainda que estas "remodelações" governamentais são simples mudanças de caras, a política criminosa do governo continua na mesma."

Sábado, Abril 27, 2013

mentir-nos com técnica apurada até se tem tornado divertido...

... porém para aturar bojardas básicas despejadas por aldrabões desqualificados é que já não há paciência.

Maria Luis Albuquerque veio à televisão afirmar que no caso da burla através dos "swaps" esta se ficou a dever a contratos assinados no período correspondente ao interior governo, quando de facto os gestores envolvidos são em grande maioria do seu partido
.